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Como negociar
uma parceria estratégica
Introdução
Com a aceleração do ritmo das mudanças tecnológicas, a
globalização dos mercados e o aumento da agressividade
concorrêncial, as empresas têm que desenvolver novos métodos
e estratégias para terem um sucesso sustentado nos negócios.
No entanto, as crescentes pressões em relação aos resultados
financeiros e à redução da duração dos ciclos de inovação
dos produtos, deixaram os gestores sem tempo nem recursos
suficientes para criar e desenvolver as competências
internas necessárias. Logo, as empresas têm que ser mais
competitivas a nível dos custos das suas operações. Para
tal, necessitam de operar grandes reestruturações internas
que, em regra, são demasiado morosas e pouco compensadoras
em termos financeiros. Solução: optar pelas parcerias
estratégicas.
Este tipo de acordos permite que as empresas possam expandir
e desenvolver as suas atividades, através de, num extremo,
celebrar simples acordos de subcontratação e, no outro
extremo, optar pelas fusões e aquisições. O conceito de
«aliança estratégica» pode descrever qualquer tipo de
parceria entre estes dois limites.
O que são as alianças estratégicas São contratos
que, em regra, tem uma duração mínima de 10 anos. Trata-se
de uma ligação baseada na igualdade e na partilha de
competências e visa criar uma relação de confiança que
obedece a uma estratégia comum. É uma estratégia de negócios
especialmente adequada para as pequenas e médias empresas
que têm de lutar contra os gigantes do mercado.
Em regra, as alianças devem ser feitas quando:
- os seus concorrentes estão unidos por alianças e a
sua empresa ainda não;
- se está insatisfeito com os resultados da sua
parceria atual
- quando acredita que precisa de mais parceiros para
vencer os desafios do futuro
- quando necessita de ganhar massa crítica para ter
sucesso no mercado
- quando necessita de possuir novas competências e não
tem recursos internos suficientes para a desenvolver.
Os principais objetivos das parcerias ou alianças
estratégicas são os seguintes:
- a partilha do risco do negócio
- ganhar economias de escala
- diversificar para novos negócios
- internacionalizar-se ou ter acesso a novos mercados
regionais
- ter acesso a novas tecnologias
- ter acesso a novas competências
- ter acesso ao capital
- criar valor acrescentado para os seus negócios
Os principais erros a evitar durante o processo são os
seguintes:
- focar-se apenas nos seus interesses e não nos
benefícios mútuos
- não injetar a dose certa de confiança
- deficiente comunicação entre os parceiros
- não envolver as pessoas indicadas
- escolher o parceiro errado
- definir objetivos pouco claros
- subestimar os problemas da resistência à mudança e
dos choques culturais
Como se devem implementar
O processo de criação de alianças ou parcerias estratégicas
tem quatro estágios principais: identificação;
avaliação, negociação e implementação que, por sua vez,
podem dividir-se nas oito fases seguintes (ver figura).

Definir os objetivos
As empresas têm que definir o que é que pretendem com a
aliança, por exemplo: gerar mais valor para a empresa do que
ela conseguiria gerar sozinha; ter acesso a recursos que a
parceira negocial possa disponibilizar; preencher
determinadas lacunas na capacidade de produção, etc. Estes
objetivos podem, obviamente mudar, consoante a evolução do
ciclo de vida e da estratégia da empresa. Por isso, nesta
fase, não será necessária uma avaliação muito rigorosa das
motivações e dos objetivos para constituir uma aliança.
Escolher os parceiros
Identificar, escolher e fazer o primeiro contacto com os
potenciais parceiros é uma das fases mais difíceis da
criação de alianças, mas também uma das mais importantes. É
essencial que a empresa que procura parceiros assuma uma
posição proativa, que lhe permita sondar quais os parceiros
ideais, estudar os seus pontos fortes e fracos e as opções
que cada um deles tem para lhe oferecer.
Um fator essencial nesta análise é o histórico de alianças
estratégicas dos potenciais parceiros. Neste processo, os
gestores deverão definir os benefícios para todas as partes.
Antecipar as necessidades ajuda a criar confiança mútua e
uma base sólida para negociações futuras. Analisar a
situação do ponto de vista do parceiro poderá ajudar a
empresa a manter a negociação em aberto se surgirem
dificuldades.
Definir as obrigações e direitos Nesta fase, é
definido tudo o que cada um dos potenciais parceiros tem a
ganhar ou que oferecer se o acordo se concretizar. Este
processo inclui:
- Apuramento das qualificações de cada um dos
parceiros que poderão ser potencialmente favoráveis para
a aliança;
- Definição do que cada parceiro poderá oferecer e
qual é que será a participação de cada um deles, quer em
termos de participação no capital, quer em termos de
participação operacional.
- Previsão das vantagens potenciais desta aliança
sobre os produtos ou serviços existentes. Esta análise
deve ser feita na perspectiva dos clientes.
- Quantificação da criação de valor e das suas
origens. Muitas alianças não são negociadas com sucesso
porque as partes envolvidas não são suficientemente
explícitas, logo no início, relativamente ao valor que a
aliança poderá gerar e qual é que será a contribuição de
cada uma delas.
- Identificação das possíveis desvantagens da
alianças. Antecipar o que poderá correr mal poderá
evitar surpresas desagradáveis.
Definir a oportunidade
Qualificar e quantificar a oportunidade de negócio que a
aliança poderá criar é essencial para o sucesso da sua
negociação e implementação. As novas oportunidades de
negócio não têm que ser a conquista da liderança do mercado,
a criação de um mercado novo, ou o lançamento de um produto
inovador brilhante. O mais importante é que os parceiros
demonstrem que assumem o compromisso de contribuírem para o
sucesso da aliança centrando-se na oportunidade comum que
identificaram. Nas alianças de sucesso, as partes envolvidas
nunca deverão perder o enfoque nessa oportunidade.
Prever o impacto sobre as pessoas
Devem identificar-se os impactos de uma aliança estratégica,
não só nas empresas envolvidas, mas também nas pessoas
(desde os investidores, aos empregados, aos fornecedores,
aos clientes, aos sindicatos e às entidades
regulamentadoras). É importante que os parceiros se coloquem
no lugar de cada um destes tipos de grupos de interesse e
que definam as vantagens e desvantagens que as alianças lhes
poderão trazer. Desta forma, anteciparão problemas
potenciais e as possíveis soluções.
Assumir o poder negocial Existem cinco boas
práticas que deverão ser respeitadas nesta fase. São elas:
- Definir de forma clara as contribuições chave dos
potenciais parceiros, quanto às capacidades e aos
recursos envolvidos, para que a aliança seja bem
sucedida.
- Proteger os recursos principais da empresa que tomou
a iniciativa, deixando claro para o parceiro quais são
estes recursos e porque é que deverão ser protegidos.
- Estudar o estilo de negociação, bem como o percurso
histórico do potencial parceiro analisando outras
alianças que tenha efetuado.
- Saber qual o motivo que leva a outra empresa a estar
na mesa das negociações - quais os benefícios
estratégicos e não estratégicos que procura.
- Fazer uma antevisão do compromisso efetivo bem como
do tipo de recursos que o potencial parceiro trará à
aliança.
Planear a integração As principais práticas
relativas ao planejamento da integração podem ser resumidas
nos seguintes pontos:
- Estruturar a aliança de forma a que esta satisfaça
as necessidades da própria aliança e não as dos
parceiros envolvidos.
- Escolher gestores de topo com créditos firmados para
negociar a aliança, partilhando os pagamentos e os
investimentos realizados.
- Ligar de forma rigorosa os objetivos estratégicos e
os recursos e orçamentos, adotando uma política de
revisão e acompanhamento periódico, definindo muito bem
quais as responsabilidades e a autoridade dos gestores
envolvidos
- Definir claramente quais as medidas a adotar em caso
de separação, tais como penalizações e obrigações de
saída
Concretizar a aliança A aliança deverá estar
estruturada com base nos desafios que ambas as empresas irão
enfrentar no futuro. Isto quer dizer que o processo deve ser
conduzido pelos gestores duma forma prospectiva,
necessitando de ferramentas eficazes de quantificação, bem
como de prazos bem definidos e, por fim, de uma enorme dose
de paciência, bom senso e confiança mútua. De entre as boas
práticas que as empresas de sucesso utilizam na
implementação das suas alianças destacam-se as seguintes:
- Criar um estrutura organizacional flexível mas forte
- Basear a estrutura e o processo de aliança na
estratégia e nos requisitos que essa aliança deverá
apresentar, em vez de ser pensada no benefício dos
intervenientes
- Prever as reações da concorrência bem como o
progresso dessa mesma aliança
- Preparar calendários e instrumentos de medição para
utilização e revisão periódica
- Confiar na comunicação aberta com vista à
flexibilização na resolução de questões em vez de
assumir uma posição estática com base no acordo
estabelecido
Bibliografia
- Harbison, John R. e Pekar, Peter; Smart Alliances -
A Practical Guide to Repeated Success; 1ºedição,
1998, Jossey-Bass Publishers
- Colon, John K. e Giovagnoli, Melissa; The Power of
Two - How Companies of All Sizes Can Build Alliance
Networks that Generate Business Opportunities; 1º
edição, 1998, Jossey-Bass Publishers
- Rodrigues, Suzana Braga; Competitividade e Alianças
Estratégicas; 1998, Editora Atlas
- Lorange, Peter e Ross, Johan; Alianças
Estratégicas: Formação, Implementação e Evolução; 1996,
Editora Atlas
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