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Outsourcing
Introdução
Concentre-se no que faz melhor do que os rivais e entregue o
restante a especialistas. Esta é a ideia-chave do
outsourcing, um conceito cada vez mais popular entre as
empresas. Originalmente o outsourcing era confundido
com a simples subcontratação, circunscrevendo-se a
atividades de baixo valor acrescentado e afastadas do
negócio vital de cada empresa como os serviços limpeza, de
segurança, o correio expresso, etc. O aumento da
competitividade dos mercados forçou as empresas a passarem a
concentrar os seus melhores recursos no seu negócio vital,
criando oportunidades de outsourcing de atividades,
funções ou processos que não seriam sequer imagináveis:
transporte, armazenamento, frotas, funções financeiras,
sistemas informáticos, etc.
Por outro lado, há cada vez mais especialistas no mercado
dispostos a resolver qualquer problema, a qualquer lugar e
hora.
Este alargamento da oferta e da procura alterou
qualitativamente o conceito, dado que já não se está a
tratar de atividades remotas ao negócio vital. Hoje, o
conceito de outsourcing significa, em muitos casos, a
celebração de uma verdadeira parceria estratégica entre o
contratado e o contratante, assente em contratos de longo
prazo que, em regra, duram de entre cinco e dez anos. Esta
nova base contratual mais sólida é uma das razões que
justificam a esperança que o outsourcing seja um dos
maiores negócios do futuro.
Eis o essencial sobre o conceito.
O que é o outsourcing «Fazer ou comprar?». Este é
o dilema típico de um processo de outsourcing. Mas a
definição do conceito implica, antes de mais, a sua
tradução. Entre as mais vulgarizadas incluem-se: «mandar
fazer fora», o «recurso a uma fonte externa», a
externalização ou, muito simplesmente, a subcontratação.
Considerando uma definição mais ampla, o outsourcing
é um processo através do qual uma organização (contratante)
contrata outra (subcontratado), na perspectiva de manter com
ela um relacionamento mutuamente benéfico, de médio ou longo
prazo, com vista ao desempenho de uma ou várias atividades,
que a primeira não pode ou não lhe convém desempenhar e que
a segunda é tida como especialista.
O conceito é particularmente útil para o gestor de uma PME
que, tendo de gerir recursos escassos, deverá concentrar
energias no seu negócio principal e nas competências-chave
da empresa (ou seja, aquilo que faz melhor do que a
concorrência) e entregar o restante a parceiros
especializados. Entre as áreas passíveis de outsourcing
destacam-se as seguintes:
- Planejamento e Estratégia: Nesta área há
disponível no mercado toda uma legião de consultores
dispostos a ajudá-lo. As multinacionais da consultoria
especializadas em estratégia, poderão ter um custo
demasiado elevado para uma PME típica. Independentemente
da opção que escolher negociar um contrato no qual a
consultora não se limite a entregar um plano estratégico
sem participar (em moldes a definir) na sua
implementação. A melhor estratégia do mundo de nada
servirá se não existir um envolvimento das pessoas que a
devem executar. Ainda nesta área uma tendência em alta
no mundo empresarial é a dos administradores não
executivos (que, em regra, apenas participam na
definição das grandes opções estratégicas da empresa) e
a dos gestores interinos. Estes são contratados, a
título temporário, para resolver um problema específico
da empresa e o seu salário tem, em regra, uma
percentagem elevada de remuneração variável (baseada com
o cumprimento de objetivos previamente fixados).
- Financeira, jurídica e administrativa: Esta é
uma das áreas mais propensas ao outsourcing. O
departamento financeiro pode entregar fora tarefas como
a contabilidade e o apoio jurídico e fiscal, o
processamento de salários ou o desenvolvimento e
manutenção das aplicações informáticas de controlo de
gestão. Na área puramente administrativa o recurso ao
outsourcing só depende dos limites da imaginação. É
especialmente aconselhável o recurso às empresas de
gestão de frotas (para aquisição ou aluguer de
automóveis de serviço, manutenção e revisões, seguros,
viatura de substituição e cartão para abastecimento de
combustível) e a celebração de um acordo com uma agência
de viagens. Nas empresas com alguma dimensão valerá a
pena adjudicar a empresas externas outras tarefas de
menor valor acrescentado como a segurança, o correio
expresso, os seguros de saúde ou o catering
(refeitórios).
- Recursos Humanos: O recrutamento é uma das
áreas onde o outsourcing tem vantagens claras.
Quer ao nível da seleção de quadros de topo (executive
search) quer dos restantes trabalhadores da empresa
(agências de recrutamento tradicionais). Estas serão
particularmente úteis na triagem inicial de pessoas
devendo, no entanto, a decisão final pertencer ao futuro
superior hierárquico do candidato. O apoio de uma
consultora especializada poderá ser importante ao nível,
por exemplo, da política global de remunerações; da
definição de planos de carreira e de formação e da
política de bônus e incentivos. Nos últimos anos têm
vindo a ganhar protagonismo as firmas especializadas em
outplacement (despedimentos e recolocação de
pessoas) e em trabalho temporário (incluindo os casos
especiais do teletrabalho e do trabalho a tempo
parcial).
- Marketing e Vendas: As oportunidades de
outsourcing nesta área são inesgotáveis. A maior
parte das empresas faz o outsourcing da sua
publicidade; quer ao nível do planejamento, concepção e
execução de campanhas; quer ao nível da compra (ou
venda) de espaço publicitário. Também as ações de
marketing direto; os estudos de mercado ou as
promoções no ponto de venda (merchandising) são,
em regra, entregues a agências especializadas. Para uma
PME sem competências específicas na área e que queira
expandir o seu negócio na Internet, o outsourcing
da gestão e manutenção do site e dos esforços de
marketing online será uma alternativa viável.
- Informática, produção e logística: A compra
(ou aluguer) de equipamentos informáticos; o
desenvolvimento de aplicações específicas; a gestão de
redes e de bases de dados e a assistência técnica são
exemplos de serviços que podem ser prestados
externamente. Deste modo, poderá reduzir custos e correr
menos riscos de estar a trabalhar com produtos
tecnologicamente obsoletos. Para as empresas de caráter
industrial fazer o outsourcing de uma parte da
produção poderá ser a solução indicada (veja-se o
exemplo do fabrico de componentes para a indústria
automóvel). O mesmo raciocínio é válido para a logística
e a distribuição (muitas empresas subcontratam o
transporte e a armazenagem, por exemplo). Em suma, tudo
pode ser objeto de outsourcing. Até os casos
limites da pesquisa e desenvolvimento de novos produtos
(como acontece na indústria farmacêutica, por exemplo)
ou do atendimento telefônica e da assistência a
clientes.
Como o implementar
Os processo típicos de outsourcing (a não ser que
apenas digam respeito a serviços de menor valor acrescentado
para a empresa) devem ser assumidos pela gestão de topo que,
depois poderão entregar a sua execução a uma equipa interna
(de preferência multidisciplinar). Como se trata de uma
ferramenta estratégica é importante que o topo da empresa
seja envolvido nas decisões. Existem, pelo menos, cinco
grandes passos no processo de decisão de outsourcing:
- Identificação de oportunidades: Definição
clara da estratégia da organização e identificação das
suas fontes de vantagem competitiva, em particular, na
identificação e distinção entre os processos críticos -
cujo desempenho deve ser assegurado pela própria
organização - e os que não são vitais para o seus
sucesso. Identificadas as competências-chave da empresa
(core competences - aquilo que sabe fazer melhor
do que qualquer outra no mercado), virtualmente todas as
outras atividades se constituem candidatas à
subcontratação;
- Avaliação de oportunidades: Compreende os
seguintes passos: análise das oportunidades geradas no
passo anterior; avaliação da qualidade e da relação
custo versus benefício relativa ao modo como as
atividades são efetuadas atualmente; descrição exaustiva
do serviço pretendido e do nível de desempenho desejado;
definição de padrões de desempenho e instrumentos para a
sua medição; fixação clara dos objetivos prosseguidos
com a subcontratação e, por fim, comparação das
expectativas no cenário de outsourcing em relação
às do cenário atual;
- Seleção do fornecedor: Inclui a identificação
dos potenciais subcontratados e o convite para
participarem no concurso. Segue-se a determinação da
extensão do controlo e do tipo de relacionamento com o
fornecedor. Depois haverá que definir os requisitos e os
critérios com base nos quais será tomada a decisão.
Falta a análise e avaliação das propostas e, obviamente,
a escolha do candidato vencedor;
- Processo de transição: Compreende a
elaboração do respectivo plano e calendarização de
atividades. Nesta fase há igualmente de definir todos os
detalhes relativos ao período de transição dos processos
face ao novo cenário do outsourcing e a sua
integração com os restantes processos existentes na
empresa;
- Acompanhamento e evolução do desempenho:
Aferição do nível de desempenho do parceiro de
outsourcing e, caso existam desvios significativos
entre a performance esperada e a real, a
implementação de medidas corretivas. Nesta última fase
procura-se atingir o objetivo da melhoria contínua dos
processos da organização.
As vantagens
Os estudos feitos sobre o assunto dizem que, em média, o
outsourcing conduz a uma redução de custos de 9% e ao
aumento da produtividade em 15%. Em termos genéricos,
podemos destacar as seguintes grandes vantagens do conceito:
- Permite a libertação de recursos - ao nível humano,
técnico e financeiro- para as atividades críticas da
empresa.
- Deslocar o enfoque dos processos organizativos
(«olhar para dentro») para o da satisfação das
necessidades dos clientes («olhar para fora»);
- Acesso a tecnologias e a especialistas não
existentes dentro da organização;
- A penetração em novas indústrias ou mercados com
elevadas barreiras à entrada;
- desempenho de atividades de difícil gestão ou
controlo;
- Pode servir de base ao desenho de uma nova estrutura
organizacional (mais achatada e como menos níveis
hierárquicos) que vise aumentar a flexibilidade e a
rapidez de adaptação às alterações do meio envolvente;
- Pode constituir um elemento catalisador de projetos
de reengenharia de processos;
- Pode permitir o acesso às melhores práticas da
indústria e tornar-se um importante observatório de
benchmarking;
- Possibilita uma aplicação mais racional e eficiente
de recursos, fazendo com que estes sejam utilizados
apenas quando necessário;
- Permite a transformação de custos fixos em custos
variáveis;
- É uma forma de redução de custos operacionais e de
garantir um maior controlo e melhor orçamentação dos
custos;
- Permite a diminuição das necessidades de
investimento e sua melhor aplicação;
- Pode ser uma forma de partilhar os riscos do negócio
com o subcontratado.
As desvantagens
Os argumentos contra o outsourcing não incidem tanto
sobre o conceito em si, mas na forma como é utilizado.
Independentemente do tipo de razões associadas, eis as
desvantagens mais freqüentes:
- Perda de controlo da execução das atividades e maior
necessidade de controlo;
- Perda de confidencialidade;
- Possibilidade de conflitos de interesse (se a
subcontratada prestar o mesmo serviço aos concorrentes);
- Má qualidade do serviço prestado e diminuição do
nível da satisfação - quer dos clientes, quer dos
empregados;
- Menor envolvimento e dedicação por parte do
subcontratado
- Menor alinhamento com a estratégia e a cultura da
empresa
- Perda de flexibilidade e reação lenta à mudança -
sobretudo às alterações de tecnologia e de mercado;
- Dependência excessiva em relação ao subcontratado;
- Incorrência em custos mais elevados do que se as
atividades tivessem sido executadas com os meios
internos;
- Perda de know-how (conhecimentos técnicos);
- Elevados custos de um eventual regresso ao
desempenho interno das atividades subcontratadas;
- Desmotivação do pessoal gerada pelas instabilidades
associadas ao processo;
- Elevados custos associados à gestão dos
subcontratados - quer devido à necessidade de controlo
do seu desempenho, quer por eventuais dificuldades de
integração com as atividades internas.
Os riscos associados
Apesar de cada vez mais popular, o outsourcing não é
isento de riscos. Eis os seus principais perigos:
- A possibilidade de o subcontratado se revelar mais
ineficaz e ineficiente do que o subcontratante;
- A inexperiência do subcontratado;
- Incerteza quanto à evolução do negócio;
- Risco de surgirem, num futuro próximo,
subcontratados mais eficientes e com maior diversidade
de soluções;
- Risco de surgirem melhores alternativas em relação
ao desempenho das atividades,
- Risco de a organização se encontrar numa situação
fragilizada e sem competências internas para se adaptar
à mudança;
- perigo de a subcontratação se traduzir no
aparecimento de mais um interlocutor a dificultar a
comunicação e a gerar conflitos entre as várias partes
envolvidas;
- Eventual ocorrência de custos ocultos;
- Tendência em considerar o outsourcing como um
fim e uma solução definitiva, em vez de um meio de
concentração de recursos em áreas vitais.
Glossário
- Reengenharia - Conceito muito em voga na
primeira metade dos ano 90. Defendia que as empresas
deveriam mudar radicalmente os seus processos
substituindo os verticais (departamentos funcionais)
pelos horizontais (ao longo da cadeia de valor, rompendo
as barreiras entre departamentos).
- Benchmarking - Processo formal de
aprendizagem das melhores práticas das melhores
empresas.
Bibliografia
- Santos, António; Outsourcing e Flexibilidade; 1998;
Texto Editora
- Johnson, Mike; Outsourcing In Brief; 1997;
Butterworth - Heinemann
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