FG - Ferramentas de Gestão

         

Seis Sigma

Categoria: Ferramentas de Gestão  

Seis Sigma

Introdução

Foi nos anos 80, na empresa americana Motorola, confrontada com uma forte perda de competitividade dos seus produtos, que começou a implementação da estratégia dos seis sigma. Inspirada em técnicas de gestão japonesas, o objetivo é, numa primeira aproximação, conseguir diminuir o número de peças defeituosas. Isto é feito sem recorrer a nova tecnologia nem a novos trabalhadores. É tudo uma questão de gestão eficaz.

Conhecer o conceito

A estratégia dos Seis Sigma é uma forma de conseguir a implementação eficaz de conceituados técnicas e princípios de qualidade. O objetivo principal desta estratégia pode ser definido de uma forma simples: conseguir zero erros em todo o desempenho da gestão na empresa. A idéia é assim obter um nível mínimo, próximo de zero, ao nível das falhas da produção. Convêm recordar que os outputs defeituosos representam perdas para a empresa a vários níveis:
  • O produto não se vende, não gera receitas;
  • A sua fabricação ocupou recursos materiais e humanos que é preciso pagar
  • Durante o processo de fabricação, impediu a produção de produtos em bom estado (custo de oportunidade);
  • É preciso desmontá-lo ou desfazer-se dele o que também implica custos.
Apesar do Seis Sigma ser claramente uma ferramenta de gestão orientada para a qualidade, esta não implica a complexidade que acompanha sempre um processo de TQM - Total Quality Management. Para aplicar esta técnica com sucesso é necessário definir três conceitos: dois tipos de qualidade e o desperdício (waste):
  • Qualidade potencial: Valor acrescentado máximo possível por cada unidade de output
  • Qualidade real: Valor acrescentado atual por cada unidade de output.
  • O desperdício é a diferença entre estes dois valores.
  • Assim, a finalidade da implementação de uma estratégia dos Seis Sigma é reduzir o desperdício ao mínimo, ajudando as empresas a produzir mais rapidamente bens e serviços melhores e envolvendo menos custos. Genericamente, concentra-se em três áreas:
  • Prevenção de defeitos;
  • Redução do ciclo produtivo;
  • Redução de custos.

Formar

Qualquer melhoria de desempenho deve ter início na gestão de topo e envolve, neste primeiro passo, várias fases. A saber:
  • Ensinar os responsáveis da empresa a compreender e utilizar os princípios e ferramentas necessários para o sucesso
  • Implementar uma estrutura de gestão para suportar o Seis Sigma
  • Cultivar um ambiente aberto à inovação e à criatividade
    • Reduzindo níveis hierárquicos
    • Eliminando barreiras burocráticas à experiência e à mudança
    • Tornando mais fácil tentar novas soluções
Neste ponto entram em ação três séries de pessoas-chave, definidas no processo. São elas:
  • Líder máximo: sendo esta uma estratégia top-down, do topo para a base, o empenho do líder máximo da organização é ponto essencial para todo o processo. Ele tem que ser o maior entusiasta desta estratégia.
  • Campeões e patrocinadores: Os campeões são gestores de topo que compreendem bem o conceito, aplicam-no no seu dia-a-dia, comunicam a mensagem permanentemente no seio da organização. São os máximos responsáveis pela introdução desta estratégia na empresa. Os patrocinadores são os donos dos vários processos, na terminologia clássica de gestão.
  • Mestre cinturão negro: É quem fornece a liderança técnica do programa Seis Sigma, devendo ter bons conhecimentos ao nível das técnicas estatísticas e da teoria matemática que a suporta.

Desenvolver métodos rigorosos

Neste passo, desenvolvem-se sistemas para estabelecer uma comunicação estreita com os parceiros de negócio: clientes. Fornecedores, e colaboradores. Isto implica a existência de métodos muito rigorosos para obter e avaliar as contribuições de todos os parceiros. Aqui são identificados quais os obstáculos para o sucesso. Estes podem dever-se
  • À cultura da empresa
  • Às políticas da empresa
  • Aos processos e burocracia da empresa
Trata-se de definir os objetivos da melhoria. Ao mais alto nível da empresa, estes objetivos fundem-se com os próprios objetivos definidos para a organização como um todo, como um aumento de x% de quota de mercado ou de volume de vendas ou ainda de ROI. Ao nível operacional, um objetivo pode ser o de aumentar a produção de determinada unidade ou departamento sem redução da qualidade, entende-se. Ao nível do projeto, um objetivo pode ser também ser o aumento do output e/ou reduzir o número de pecas defeituosas. De referir que os métodos de data mining são muito úteis para identificar oportunidade de melhoria na organização. Mas qualquer gestor atento consegue descobrir quais são os pontos a melhorar.

Treinar os colaboradores

Depois de identificar com precisão as necessidades de formação de cada indivíduo ou grupo de indivíduos na organização, é necessário fornecer os níveis adequados de liderança. A formação abarca as ferramentas, as técnicas mas também a filosofia dos sistemas de melhoria. Entram aqui em ação as outras categorias de pessoas-chave. A saber:
  • Cinturões negros: Líderes ao nível operacional, devem ter uma boa imagem dentro da empresa e ter alguns conhecimentos de estatística e de informática.
  • Cinturões verdes: São os líderes dos vários projetos, que devem formar as equipas que colocarão em prática as ações identificadas

Definir processos e indicadores

Define-se o quadro para a melhoria contínua de processos assim como um conjunto de indicadores para monitorar os progressos ao nível dos objetivos estratégicos e dos processos-base da gestão, entre outros.

Trata-se de medir o sistema atual. Para esse efeito é indispensável escolher quais os parâmetros a utilizar de forma a poder avaliar e medir os progressos no sentido dos objetivos definidos anteriormente. Impõe-se nesta altura uma análise descritiva dos parâmetros disponíveis para compreender bem o que eles significam.

Escolher processos a melhorar

Os processos que devem ser revistos são escolhidos tanto pela gestão de topo como por pessoas ligadas ao processo a todos os níveis. A estratégia dos Seis Sigma leva à melhoria do desempenho da gestão mas esta melhoria tem que ser traduzida em resultados financeiros mensuráveis, o que implica um bom conhecimento dos constrangimentos da empresa.

Neste ponto é preciso utilizar os dados recolhidos previamente para identificar modos de eliminar a distância entre o desempenho atual e o objetivo pretendido. Para este trabalho são necessários bons conhecimentos matemáticos já que, aqui, se utilizam alguns métodos estatísticos para avaliar de forma rigorosa as discrepâncias.

Levar a cabo os projetos

É a fase de implementação no terreno, quando as ações são levadas a cabo por todos aqueles a quem dizem respeito sob a supervisão dos responsáveis. Podem-se definir duas etapas:
  • Melhoria: É aqui que se trata de melhorar, de fato, o sistema. Alguma dose de criatividade, apoiada nos números, é necessária para descobrir novas de fazer o mesmo mas melhor, mais depressa e mais barato. As técnicas de gestão de projeto, assim como outros métodos de planificação e gestão, devem ser utilizadas para implementar a nova abordagem. Além disso, a melhoria deve ser medida por meio de instrumentos estatísticos.
  • Controlo: Uma vez que o novo modelo está a funcionar - bem - é preciso efetuar mudanças em outras áreas da empresa para que a nova forma de fazer se institucionalize na empresa. Nomeadamente:
    • Escrever um manual de processos novo
    • Dar formação ao pessoal
    • Alterar sistemas de incentivo e de recompensas
    • Fazer nova orçamentação
    • Alterar políticas da empresa
    • Etc.
Bibliografia
  • Pyzdec, Thomas; The Six Sigma Handbook; McGraw Hill; 2000
  • Pande, Pete; Halpp, Larry; Pande, Peter S.; What is Six Sigma?; McGraw Hill; 2001
  • Arthur, Lowell Jay; Arthur, Jay; Six Sigma Simplified; LifeStar; 2000
Referências

Voltar

© 2004  - website desenvolvido pelos acadêmicos do 1º Ano Administração da Factef. 

Direitos reservados - Lançado em 18/06/2004    FUNDADORES: • Gilberto W. Dutra  • Willian B. Barreto  

Número de Visitantes: