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Sistema
KANBAN
Um dos
programas que representou forte influência nas melhorias
obtidas foi Kanban. Kanban, cujo significado é SÍMBOLO,
PAINEL ou CARTÃO, é um sistema de controle da produção
desenvolvido pela Toyota Motor Company por seu ex-
presidente Mr. Taiichi Ohno, nos últimos 25 anos.
Dois pontos
enfatizam a implantação do programa:
- A inexistência de
recursos naturais, gerando uma atitude voltada ao
combate ao desperdício;
- O elevado grau de
conscientização de operário japonês com relação à
importância da empresa onde trabalha e a retribuição,
por parte desta, repartindo lucros obtidos com seus
empregados.
O sistema
KANBAN desenvolvido na Toyota, começou a ser amplamente
difundido no Japão a partir dos anos 70, após a segunda
crise do petróleo. Foi quando as empresas japonesas
verificaram que as fábricas da Toyota haviam superado as
dificuldades sem sofrer grandes traumas.
Uma empresa
que desenvolveu programa semelhante foi a Mitsubishi Eletric
Company, que na época vinha sofrendo forte crise de
entendimento. Após verificar que o tratamento tradicional
para reduzir os estoques não era mais suficiente para
compensar as violentas dificuldades, Shindo, presidente da
empresa, fez as seguintes perguntas aos seus subordinados:
- São os armazéns de
materiais realmente necessários para a produção ?
- Seria possível
sincronizar os setores de fabricação e montagem, de modo
a eliminar os armazéns de peças fabricadas?
Foi em busca
da resposta a essas perguntas que os executivos da
Mitsubishi, baseando –se no modelo desenvolvido na Toyota,
criaram o Programa do Mínimo Inventário em Processo.
Antes de
entrar em considerações sobre este programa é interessante
ressaltar que mais do que ser um programa de redução de
estoques, ele visa principalmente a melhoria da qualidade e
o aumento da produtividade. Cada etapa se interrelaciona com
as demais e juntas, constituem a base para o funcionamento
da última fase – o modelo KANBAN.
MÍNIMO
INVENTÁRIO EM PROCESSO

Para melhor
entender como o sistema funciona , vamos fazer uma analogia
com a vida congestionada de uma grande cidade.
Imaginemos o
fluxo de veículos que se dirige na parte da manhã para o
centro da cidade. Suponhamos que existisse um sistema de
transporte contínuo por vias expressas, entre os bairros e o
centro, de tal modo que o retorno aos pontos de origem fosse
também por vias expressas. Não havendo obstrução das
avenidas, nos dois sentidos, haveria um fluxo contínuo de
pessoas dos bairros ao centro e o retorno vazio dos veículos
ao ponto de partida, completando-se o ciclo.
Mas para que
o sistema seja eficiente é necessário que haja uma
conjugação de vários fatores, a saber:
LIMPEZA E
ARRUMAÇÃO – Remoção de todo e qualquer objeto que possa
obstruir o fluxo racional dos veículos. Assim devem ser
eliminados os veículos estacionados, os veículos velhos ou
abandonados e também aqueles com problemas de enguiço ou
falha. As vias devem estar permanentemente livres e
desimpedidas.
MÁQUINAS
EM DISPONIBILIDADE – É a utilização de um programa de
manutenção eficiente, evitando que os veículos em operação
não sofram panes durante o horário de operação. Além disso,
as vias de circulação deverão estar permanentemente
conservadas.
QUALIDADE
–Está relacionado com o desempenho dos motoristas, que
deverão estar permanentemente treinados para evitar
acidentes e erros que retardem de alguma forma o percurso.
TROCA
RÁPIDA DE FERRAMENTAS (TRF) – Deve permitir a troca de
peças, viaturas ou qualquer outro item, quando houver
necessidade. Além disso, se furar o pneu este programa
deverá permitir a troca rápida, talvez não tão rápida como
na FÓRMULA 1, mas com certeza em menos de 10 minutos.
OPERADOR
POLIVALENTE (OPP) – Deve treinar motoristas que sirvam
de regra 3, na ausência dos titulares. Além disso, deve
possibilitar que o percurso realizado por cada viatura seja
racional, eliminando cruzamentos, retornos ou voltas
desnecessárias.
AUTOMATIZAÇÃO DE BAIXO CUSTO (ABC) –Deve permitir que o
fluxo de veículos seja acelerado com pequeno investimento.
Assim, a automatização dos sinais pode ser um dos pontos a
ser implantado, eliminando congestionamentos entre dois
cruzamentos sucessivos.
PRODUTIVIDADE EM LOTES PEQUENOS (PLP) – Desenvolvidas as
fases anteriores e estando o fluxo bem balanceado, esta
etapa nos permite modificar o sistema de circulação.
Suponhamos que para o transporte estejamos usando veículos
com capacidade de transportar 100 passageiros que chegam ao
destino a cada 10 minutos. Vamos substituir por veículos com
capacidade para 5 passageiros chegando a cada ½ minuto. Cada
veículo antigo é substituído por 20 veículos novos,
transportando um lote menor de passageiros, que chegam em
intervalos mais freqüentes.
Finalmente
chegamos ao KANBAN. Este módulo consiste no aumento
da velocidade dos veículos, à medida que o sistema ganha em
sincronização, fruto das etapas anteriores. Assim sendo, ao
invés de ter veículos circulando a 40 km/hora, por exemplo,
podemos Ter sua velocidade aumentada para 80 km/hora e seu
número reduzido à metade. À medida que aumentamos a
confiabilidade no sistema, fruto do avanço no
desenvolvimento das etapas anteriores, podemos ir
gradativamente aumentando a velocidade e retirando
proporcionalmente veículos de circulação.
Voltando a
realidade, podemos dizer que o KANBAN nos setores
industriais é muito semelhante ao sistema acima descrito. As
peças são os passageiros. Os veículos são os recipientes
padronizados. O fluxo de veículos entre os bairros e o
centro da cidade representa o ciclo de produção entre
fabricação e montagem. O tempo de transporte é o tempo de
processo (lead time). Só não existe o cartão KANBAN,
que é o elemento que autoriza a produção de um novo lote de
peças na linha quantidade correta quando, após o consumo das
peças na linha de montagem, o recipiente padronizado vazio,
juntamente com seu cartão correspondente, são remetidos para
o início do processo de fabricação. Se por algum motivo se
interrompe o consumo na linha de montagem, os recipientes
padronizados, juntamente com seu cartão correspondente, não
são remetidos para a origem e o sistema automaticamente se
interrompe. O máximo de estoque de material em processo é
limitado pelo número de cartões do item, multiplicado pela
quantidade representada por cada cartão.
De modo
similar, as etapas anteriores devem prover as condições para
a implantação correta do KANBAN, mediante o uso de cartões.
Elas têm como objetivos básicos eliminar excessos, reduzir
tempos ociosos, diminuir o tempo de processo, reduzir os
estoques de material em processo, aprimorar a qualidade e,
principalmente, desenvolver a produtividade de forma
continuada e consistente.
Esse sistema foi idealizado por japoneses, que na realidade
significa, SINAL. O controle é realizado através de
fichas normalmente utilizando-se duas cores.
A ficha deverá conter os dados do material a ser produzido e
a quantidade exata de produção. Sistema esse adotado em
muito para controle de montagem em série.
Exemplo do fluxo KanBan:
  

Aí surge a
pergunta é este o momento oportuno para a implantação do
KANBAN no Brasil?
Não resta
dúvida que a esta nova era exigirá das empresas completa
reformulação das diretrizes até então aplicadas. Mas o
caminho é um só:
- MELHORIA DOS PADRÕES DE
QUALIDADE
- ELIMINAÇÃO DOS
DESPERDÍCIOS
- REDUÇÃO DOS NÍVEIS DE
ESTOQUE
- AUMENTO CONTÍNUO DA
PRODUTIVIDADE
Entretanto, é
preciso alertar as empresas para que não se lancem numa
implantação sem antes conhecer profundamente os conceitos e
as peculiaridades que envolvem o programa. Ele exige
mudanças dentro das organizações. A implantação não é
padronizada. Alguns conceitos são contrários aos hábitos e
sistemas tradicionais. Por trás da simplicidade é preciso
haver forte disciplina.
E para
aqueles que consideram que já aplicam os conceitos do Mínimo
Inventário em Processo dentro das suas empresas, aqui vão
alguns lembretes adicionais:
- Cuidado com a tendência
a simplificação e à auto- suficiência.
- O programa deve envolver
todos os setores da organização.
- O programa, uma vez,
começado. não termina nunca.
- Evitem o modismo
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