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O
espaço para a educação na empresa constitui, hoje, um
diferencial estratégico à qualidade total. Tornou-se
imprescindível uma Pedagogia de Liderança que comece na
concepção de Gerente-Educador. Numa época marcada pela
mudança acelerada, a renovação é fator de sobrevivência face
ao risco constante do obsoletismo. Quem não está se
atualizando e, mais do que isso, revendo criticamente seu
posicionamento diante das conquistas científicas e das
opções tecnológicas, está superado. Se ocupa posição de
liderança na hierarquia organizacional, a deterioração do
seu papel vai redundar em desagregação grupal.
A
obsolescência das organizações é fruto da desintegração das
lideranças. A função básica de um líder é educar, pois a ele
cabe formar equipes integradas e desenvolver talentos.
O poder de influência das lideranças exerce-se através de
processos educativos. È a atitude do líder, como padrão de
desempenho, e seu comportamento, dominando habilidades
interpessoais, que vão determinar o clima motivador à
integração das equipes. Temos repetido exaustivamente que
o que integra as lideranças são idéias e emoções, e não
tecnologias. O fascínio do líder não resulta,
necessariamente, de um carisma próprio, de uma
“personalidade de líder”, mas do exercício das funções de
liderança, que pressupõem:
- Descoberta e desenvolvimento do potencial humano
(talentos) - Estímulo à participação e à criatividade
- Criação de clima motivacional à integração de equipes,
através do consenso quanto às verdades comuns e a objetivos
e metas compartilhados - Exercício regular da delegação
de autoridade para aumentar o poder pessoal e a força da
equipe - Avaliação de desempenho para que cada qual se
posicione realisticamente e se sinta em condições de crescer
na organização - Educação contínua, visando a
desenvolver atitudes e habilidades
O exercício das funções de liderança, num tempo de intensas
transformações em que vivemos, induz as gerências à
preocupação estratégica na linha de uma pedagogia
renovadora. É preciso educar o tempo todo para que, como
Alice no País das Maravilhas, possamos, “pelo menos,
permanecer no mesmo lugar”. A inovação e a expansão do
conhecimento transformam-nos em permanentes aprendizes e as
organizações, em comunidades vivenciais de aprendizagem. O
espírito de aprendiz é exigido ao profissional comprometido
com o futuro. Para Ter a imprescindível visão de
oportunidades, é necessária a renovação contínua através da
educação contínua. Educar, educar...educar é o segredo das
organizações bem sucedidas.
Trabalhando com a
educação, numa dimensão global de empresa, em nossa
estratégia de consultoria, temos desenvolvido alguns
conceitos fundamentais e suas tecnologias correspondentes:
Liderança Integrada
Este é o ponto essencial.
Todos os problemas das organizações resultam, de algum modo,
de uma causa: a desintegração das lideranças do sistema. Não
é possível um organismo normal e saudável guiado por várias
cabeças. E esse monstrengo organizacional é o fenômeno
patológico mais encontradiço na realidade das empresas, a
ponto de não mais gerar susto é até ser justificado por
aqueles que, equivocadamente, defendem a competição
predatória. A cabeça dividida gera a fragmentação, uma das
tragédias mais características da atualidade social.
Usamos uma frase para definir esse fenômeno nas
organizações: “Ter diretores e não Ter diretoria”.
Classificamos as empresas fragmentadas por ilhas de poder
como arquipélagos organizacionais, onde em cada cabeça
gerencial há uma “meia-verdade” levando as instituições a se
tornarem uma mentira inteira . É quando a organização perde
identidade e conceito público, tendendo a se tornar não uma
empresa, mas um negócio especulativo, circunstancial e
perecível. Integrar as lideranças é o esforço essencial
para que haja consistência doutrinária, coerência
estratégica e permanência na missão, como garantia à
perpetuidade. Para tanto, é necessário o compromisso básico
com as verdades comuns.
Verdades Comuns
É a base filosófica da empresa: as verdades condensadas, os
credos e os princípios éticos que configuram a cultura
organizacional. Sem o comprometimento com essas verdades
comuns, a cultura torna-se algo tão impreciso que não
corresponsabiliza ninguém. Todos sentem-se numa nau sem rumo
seguro, preocupados em sobreviver ao naufrágio a qualquer
hora. As verdades comuns nascem da contribuição criativa, a
discussão e do consenso quanto a valores, missão, objetivos
e metas. A Filosofia da Empresa não é uma listagem de
conceitos abstratos emoldurados na parede dos executivos,
mas fruto da convicção coletiva, o que vale dizer:
diretrizes nascidas de ampla discussão entre as lideranças e
consolidadas para que sejam a fonte da qual resultam as
formulações de todas as políticas organizacionais.
Consistência, coerência e permanência são palavras-chave.
Renovação Contínua
Temos definido que uma empresa
saudável consiste em Ter homens em renovação numa
organização em renovação contínua. É preciso manter as
pessoas, mormente o sistema de liderança, comprometidas com
a renovação, num mundo que se transforma vertiginosamente.
Adotamos como diretriz a fala de um dos personagens de
Berthold Brecht: é preciso transformar o mundo, depois é
preciso transformar o mundo transformado. A renovação
contínua significa viver. A vida inteligente e bem sucedida
só se viabiliza através do conhecimento aplicado e renovado.
É preciso conhecer, vivenciar, avaliar, enriquecer e
reaplicar. É uma dinâmica de aprendizagem permanente que
mantém pessoas de organizações vivas e empolgadas. A
empolgação é uma palavra-chave. Significa pessoas motivadas,
entusiásticas, envolvidas e dispostas a realizar, realizar e
realizar pela motivação e pelo prazer do
auto-desenvolvimento. Realizar, realizando-se. Daí resulta o
ser feliz no trabalho. A empolgação expressa a convicção e o
sentimento da renovação contínua. Quando tudo está sendo
impulsionado por transformações aceleradas, profundas e
irreversíveis, a renovação contínua é a segurança. Demanda
aprendizagem e reaprendizagens.
Comunidade
Vivencial de Aprendizagem / Gerente Educador
Numa
organização integrada, todos são educadores e aprendizes.
Todos ensinam e aprendem o tempo todo. A empresa torna-se,
rigorosamente, uma comunidade vivencial de aprendizagem
quando há estímulo à participação, através da atitude
educativa das gerências e da abertura de canais informais de
comunicação. Nessa linha, temos defendido como essencial à
eficácia em gerência o conceito de Gerente Educador. Temos
convicção de que ou o gerente é um educador ou não é líder.
A função básica da gerência é formar equipes e desenvolver
pessoas para a realização de objetivos comuns. Sendo assim,
seu compromisso é educar sempre, caso queira ser um líder ou
mero capataz e encarregado de fiscalizar o trabalho. Todas
as suas funções implicam técnicas educacionais: recrutar,
selecionar, planejar, estabelecer estratégias, treinar,
avaliar, integrar, conquistar clientes, desenvolver
oportunidades.
Numa sociedade marcada pela velocidade
e por decisões ágeis, os métodos convencionais de ensino não
resolvem; nem nas salas de aula, muito menos na empresa. É
imprescindível uma instrumentação dinâmica, inserida no
próprio contexto de trabalho. Daí a metodologia interativa
que concebemos à base do Gerente-Educador e tendo por
cenário a própria realidade de trabalho.
Renovação
Interativa à Distância
Possibilitar a renovação
de todos, todo o tempo, ao mesmo tempo, é realizar
plenamente o ideal da Renovação Contínua. Renovação
Interativa à Distância é uma tecnologia que visa a eliminar
as distâncias (mais psicológicas do que espaciais) entre
gerentes e gerenciados. Consiste em usar uma metodologia
interativa de ensino à distância e recursos que facilitem ao
exercer no trabalho técnicas pedagógicas. Usando dos
recursos da internet, a metodologia privelegia as ações
presenciais por sua força integradora.
A seqüência de
passos para implantação da metodologia pode variar de acordo
com as peculiaridades de cada organização, mas, em essência,
é a seguinte:
1º passo - Seminário de Sensibilização para fixar os
conceitos básicos e detalhar a metodologia, diagnosticar
problemas e estabelecer prioridades de conteúdo. 2º
passo - Treinamento de Grupos sobre o papel da
liderança, as funções do gerente educador e as práticas
recomendadas pela metodologia. 3º passo - Envio
Sistemático dos Módulos de Aprendizagem – conteúdos
selecionados, em linguagem induzida à aplicação, para estudo
pelo gerente. 4º passo - Reunião do Gerente com a
sua Equipe para leitura em grupo, reflexões e debates,
conclusões, elaboração de projetos e aplicação experimental.
5º passo - Gabinete de Consultas. Todas as dúvidas e
sugestões são encaminhadas à Coordenação Geral do Programa,
que oferecerá respostas personalizadas ao consulente.
Exercícios : os questionamentos, casos e problemas sugeridos
nos módulos são respondidos e encaminhados à Coordenação
Geral para análise e respostas personalizadas, com
apreciação e recomendações. 6º passo - Reuniões de
reforço. Periodicamente, são realizadas reuniões gerenciais
de reforço conceitual e metodológico, análise de
dificuldades e de situações críticas, com vistas à
atualização e ao enriquecimento do processo.
O sistema natural é dinâmico, envolvido com as necessidades
reais das pessoas e da organização, de modo a se tornar um
canal preferencial à transmissão do conhecimento e das
emoções dos participantes.
Estratégia de Empresa
Outro conceito que temos procurado enfatizar é
Estratégia de Empresa, cuja a importância definimos através
da proposição: estratégia todas as empresas têm; Estratégia
de Empresa. poucas. Quer isso dizer que, diante dos desafios
naturais de mercado e das crises conjunturais, todas as
organizações e mesmo as pessoas armam estratégias de
intervenção, reativas ou mas reflexivas e até altamente
sofisticadas. Estratégia de Empresa todavia, significa uma
concepção integrada por filosofia, políticas e estratégias,
ou seja:
· possuir verdades comuns (valores, crenças, princípios
éticos) · políticas comuns (orientações claras e aceitas)
· estratégias comuns (linhas de ação assumidas por consenso
para a ação coerente e eficaz)
É a Estratégia de Empresa que comunica identidade,
consistência interna e conceito público. Como corolário,
equacionamos quatro dimensões características e integradas
às organizações que possuem Estratégia de Empresa:
Empresa Profissionalizada – não é aquela que tem,
simplesmente, profissionais competentes, mas que faz da
competência traço peculiar de ações integradas, interna e
externamente. Para tanto, cria-se a cultura do
profissionalismo à base de verdades, políticas e estratégias
comuns. Empresa Descentralizada – a delegação de
autoridade é fundamental às gerências para superarem suas
limitações e promoverem o desenvolvimento das equipes e da
organização. Portanto, a descentralização é requisito
essencial às organizações para tornarem-se flexíveis e
ajustáveis às exigências do mercado em transformação.
Empresa Moderna – não o modernismo de fachada, mas a
modernidade autêntica, fundada na inovação e na renovação.
Homens e organizações renovando-se continuamente. Empresa
Humana – não há desenvolvimento sem valorização humana. A
preocupação com o bem estar e a felicidade ganha sentido
estratégico, hoje, onde os grandes desafios e complexidades
só são aceitos e respondidos por pessoas motivadas – e,
acrescento, felizes.
Empresa Feliz
Este
é um conceito conclusivo de toda uma teoria empresarial.
Vejamos alguns tópicos:
· Só pessoas felizes são realmente produtivas. ·
Felicidade no trabalho é objetivo lógico para quem passa
dois terços de sua vida em ambiente produtivo. · Só
organizações felizes podem proporcionar o clima adequado à
felicidade no trabalho.
· A infelicidade não gera lucros. O infeliz é um
desagregador, um destrutivo.
Talvez não seja fácil determinar com precisão o que seja uma
pessoa feliz e uma Empresa Feliz, mas certamente qualquer um
de nós tem condições de dizer o que seja uma pessoa infeliz
e uma empresa infeliz. Esta pode ser uma “entrada” de
referência a um modelo de gestão. Definimos Empresa Feliz
como: a Empresa Bem Administrada, com ênfase na Valorização
Humana, na Renovação Contínua e na Lucratividade Sustentada.
Construímos esse modelo e propomos uma metodologia (no livro
Empresa feliz, Makron Books) baseados em quatro
redescobertas que ressurgem hoje, sob o influxo de uma
vertiginosa mudança de cenários, fruto dos avanços das
ciências sociais e da tecnologia. Tentaremos esboçar alguns
pressupostos:
Redescoberta do Homem
· Mais educado, o homem é mais livre e mais líder. · Só
livre o homem é pleno em dignidade. · Maior liberdade,
maior conhecimento e maior poder de influência. · Todos
somos influenciados e influenciamos o tempo todo, daí o
exercício da liderança generalizar-se. · Na empresa, o
gerente, cuja função é formar equipes e desenvolver pessoas
para resultados, tem como papel liderar e sua função básica
e ser um Líder Educador.
Redescoberta do Cliente
· Mais educado o cliente torna-se mais exigente em
qualidade. · O marketing massificado esgotou-se como
modelo. · A preocupação estratégica é o cliente
personalizado.
Redescoberta da Organização Flexível
· A organização é cada vez mais um instrumento facilitador,
propiciando participação e criatividade. · A organização
burocrática, rígida e autocrática, embota o desenvolvimento
humano e organizacional. · As palavras de ordem são:
globalização, parceria, descentralização e solidariedade.
Redescoberta da Cidadania
· Maior consciência de dignidade da pessoa e maior
contribuição à causa comum. · Só há desenvolvimento
autêntico com a afirmação da cidadania e do sentido ético de
vida.
Concluindo
· Não se constrói sobre a infelicidade · Uma Sociedade
Saudável depende de organizações saudáveis. · Uma
Organização Saudável é a que desenvolve uma cultura de
participação e criatividade criando as condições para que o
homem realize no trabalho. O lucro é conseqüência.
A Felicidade sintetiza o objetivo do quadro conceitual e
metodológico em uma visão ampla, na linha da Educação
Empresarial.
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