Abordagem Contingencial
A palavra contingência significa algo incerto ou eventual, que pode
suceder ou não, dependendo das circunstâncias. Refere-se a
uma proposição cuja verdade ou falsidade somente pode ser
conhecida pela experiência e pela evidência, e não pela
razão. A abordagem contingencial salienta que não se alcança
a eficácia organizacional seguindo um único e exclusivo
modelo organizacional, ou seja, não existe uma forma única e
melhor para organizar no sentido de se alcançar os objetivos
variados das organizações dentro de um ambiente também
variado. Os estudos recentes sobre as organizações complexas
levaram a uma nova perspectiva teórica: a estrutura da
organização e seu funcionamento são dependentes da sua
interface com o ambiente externo. Diferentes ambientes
requerem diferentes desenhos organizacionais para obter
eficácia, tornando-se necessário um modelo apropriado para
cada situação. Por outro lado, diferentes tecnologias
conduzem a diferentes desenhos organizacionais, bem como as
variações no ambiente ou na própria tecnologia conduzem a
variações na estrutura organizacional.
É com a Teoria da Contingência que há o deslocamento da
visualização de dentro para fora da organização: a ênfase é
colocada no ambiente e nas demandas ambientais sobre a
dinâmica organizacional. Para a abordagem contingencial são
as características ambientais que condicionam as
características organizacionais, assim, não há uma única
melhor maneira (the best way) de se organizar. Tudo depende
(it depends) das características ambientais relevantes para
a organização. As características organizacionais somente
podem ser atendidas mediante a análise das características
ambientais com as quais se defrontam.
Teoria da Contingência
Na Teoria da Contingência tudo é relativo, tudo depende,
isto é, não há nada de absoluto nas organizações ou na
teoria administrativa. Há uma relação funcional entre as
condições do ambiente e as técnicas administrativas
apropriadas para o alcance eficaz dos objetivos da
organização. Dentro de uma relação funcional, as variáveis
ambientais são variáveis independentes, enquanto as técnicas
administrativas são variáveis dependentes. Existe uma
relação funcional entre elas, como vimos, essa relação
funcional é do tipo "se-então" e pode levar a um alcance
eficaz dos objetivos da organização. A administração
contingencial pode ser intitulada de abordagem do
"se-então", pois o reconhecimento, diagnóstico e adaptação à
situação são importantes para a abordagem contingencial.
Porem eles não são suficientes, necessitando as relações
funcionais com as condições ambientais e as práticas
administrativas ser constantemente identificadas e ajustadas

Origens da Teoria da Contingência
A Teoria da Contingência surgiu a partir de várias pesquisas
feitas para verificar os modelos das estruturas
organizacionais mais eficazes em determinados tipos de
empresas. Os resultados das pesquisas conduziram a uma nova
concepção da organização e o seu funcionamento são
dependentes da interface com o ambiente externo. Verificaram
que não há um único e melhor jeito de organizar. Essas
pesquisas e estudos foram contingentes, no sentido em que
procuraram compreender e explicar o modo como as empresas
funcionavam em diferentes condições que variam de acordo com
o ambiente ou contexto que a empresa escolheu como seu
domínio de operação. Em outras palavras, essas condições são
ditas "de fora" da empresa, isto é, do seu ambiente. Essas
contingências externas podem ser consideradas oportunidades
e imperativos ou restrições e ameaças que influenciam a
estrutura e os processos internos da organização.
Pesquisa de Chandler sobre Estratégia e Estrutura
Alfred Chandler realizou uma investigação histórica sobre as
mudanças estruturais de grandes organizações relacionando-as
com a estratégia de negócios. O autor estuda a experiência
de quatro grandes empresas americanas (Dupont, General
Motors, Standard Oil e a Sears Roebuck), e examina
comparativamente essas corporações americanas demonstrando
como a sua estrutura foi sendo continuamente adaptada e
ajustada a sua estratégia. A conclusão de Chandler é que a
estrutura organizacional das grandes empresas americanas foi
sendo gradativamente determinada pela sua estratégia
mercadológica. A estrutura organizacional corresponde ao
desenho da organização, isto é, a forma organizacional que
ela assumiu para integrar seus recursos, enquanto a
estratégia corresponde ao plano global de alocação de
recursos para atender as demandas do ambiente.
Pesquisa de Burns e Stalker sobre Organizações
Dois sociólogos, tom Burns e G. M Stalker, pesquisaram vinte
indústrias inglesas para verificar a relação existente entre
as práticas administrativas e o ambiente externo dessas
industrias. Impressionado com os diferentes procedimentos
administrativos encontrados nessas indústrias,
classificaram-nas em dois tipos:
Mecanísticas:
·
Estrutura burocrática baseada em uma minuciosa divisão do trabalho.
·
Cargos ocupados por especialistas com atribuições claramente
definidas.
·
Centralização das decisões que são concentradas na cúpula da
empresa.
·
Hierarquia rígida de autoridade baseada no comando único.
·
Sistema rígido de controle: a informação ascendente sobe através de
uma sucessão de filtros e as decisões descem através de uma
sucessão de amplificadores.
·
Predomínio da interação vertical entre superior e subordinado.
·
Amplitude de controle administrativo mais estreita.
·
Ênfase nas regras e procedimentos formais.
·
Ênfase nos princípios universais da Teoria Clássica.
Orgânicas:
·
Estruturas organizacionais flexíveis com pouca divisão de trabalho.
·
Cargos continuamente modificados e redefinidos através da interação
com outras pessoas que participam da tarefa.
·
Descentralização das decisões que são delegadas aos níveis
inferiores.
·
Tarefas executadas através do conhecimento que as pessoas tem da
empresa com um todo.
·
Hierarquia flexível com predomínio da interação lateral sobre a
vertical.
·
Amplitude de controle administrativo mais ampla.
·
Maior confiabilidade nas comunicações informais.
·
Ênfase nos princípios de relacionamento humano da Teoria das
Relações Humanas.
A Conclusão de Burns e Stalker é que a forma mecanística de
organização é apropriada para condições ambientais estáveis,
enquanto que a forma orgânica é apropriada para condições
ambientais de mudanças e inovação. Em resumo, há um
imperativo ambiental, isto é, é o ambiente que determina a
estrutura e o funcionamento das organizações.
Pesquisa de Lawrence e Lorsch sobre o ambiente
Paul R. Lawrence e Jay w. Lorsch fizeram uma pesquisa sobre o
defrontamento entre organização e ambiente que marca o
aparecimento da Teoria da Contingência. Este nome
derivou desta pesquisa. Estes autores, preocupados com as
características que as empresas devem ter para enfrentar com
eficiência as diferentes condições externas, tecnológicas e
de mercado, fizeram uma pesquisa sobre dez empresas em três
diferentes meios industriais (plásticos, alimentos
empacotados e recipientes/containers). Os autores concluíram
que os problemas organizacionais básicos são a diferenciação
e a integração.
Diferenciação: As organizações apresentam esta
característica. É a divisão da organização em departamentos,
cada qual desempenhando uma tarefa especializada para um
contexto ambiental também especializado. Cada departamento
reage unicamente áquela parte do ambiente que é relevante
para a sua própria tarefa especializada. Se houver
diferenciação nos ambientes específicos aparecerão
diferenciações na estrutura e abordagem dos departamentos.
Integração: Refere-se ao processo oposto, gerado por
pressões vindas do ambiente da organização no sentido de
obter unidade de esforços e coordenação entre vários
departamentos. Ao lidar com os ambientes externos vão se
segmentando em unidades, cada uma coma tarefa específica de
tratar com uma parte das condições existentes fora da
organização (unidades de vendas, de produção, de pesquisa).
Cada um desses segmentos se relaciona com um segmento do
universo exterior à empresa. Essa divisão do trabalho entre
departamentos marca um estado de diferenciação como vimos
acima. Porém, esses departamentos precisam fazer um esforço
convergente e unificado para atingir objetivos globais da
organização. Em conseqüência, ocorre também um processo de
integração.
Integração Requerida e Diferenciação Requerida: A diferenciação e
integração requerida referem-se a predições do ambiente da
empresa. Aluninho, presta á atenção, não se referem á
diferenciação e integração existentes na empresa, mas o
quanto de diferenciação e integração o ambiente exige delas.
A empresa que mais se aproxima das características
requeridas pelo ambiente terá mais sucesso do que a empresa
que se afasta muito delas.
·
Depto Vendas : Ambiente Mercadológico
·
Depto Produção : Ambiente Técnico - Econômico
·
Depto Pesquisa : Ambiente Científico
Em função dos resultados da pesquisa, os autores formularam a
Teoria da Contingência, isto é, não existe uma única
maneira melhor de organizar; ao contrário, as organizações
precisam ser sistematicamente ajustadas ás condições
ambientais. A Teoria da Contingência apresenta os
seguintes aspectos:
·
A organização é de natureza sistêmica, isto é, ela é um sistema
aberto.
·
As características organizacionais apresentam uma interação entre
si e com o ambiente e as características da organização.
·
As características ambientais funcionam como variáveis
independentes, enquanto as características organizacionais
são variáveis dependentes daquelas.
Em resumo, a Teoria da Contingência explica que não há nada
de absoluto nos princípios gerais da administração. Os
aspectos universais e normativos devem ser substituídos pelo
critério de ajuste entre cada organização e seu ambiente e
tecnologia.
Pesquisa de Joan Woodward sobre a Tecnologia
Joan, socióloga industrial inglesa, organizou uma pesquisa para
saber se os princípios da administração propostos pelas
teorias administrativas se relacionavam com êxito do negócio
quando colocados em prática. A pesquisa envolveu 100
empresas de vários tipos de negócios, nas quais foram
classificadas em três grupos de tecnologia de produção:
Produção Unitária ou Oficina
·
Tecnologia utilizada: Habilidade manual ou operação de
ferramentas, artesanato. Pouca padronização e pouca
automatização. Mão de obra intensiva e não especializada.
Exemplo: produção de navios, motores de grande porte, aviões
comerciais, locomotivas.
·
Resultado da produção: Produção em unidades, pouca
previsibilidade dos resultados e incerteza quanto a
incerteza das operações.
Produção em Massa:
·
Tecnologia utilizada: Máquinas agrupadas em baterias do mesmo
tipo (seções ou departamentos). Mão de obra intensiva e
barata, utilizada com regularidade. Exemplo: Empresas
montadoras de automóveis
·
Resultado da produção: Produção em lotes e em quantidades
regular conforme dada lote. Razoável previsibilidade dos
resultados. Certeza quanto á sequência das operações.
Produção Contínua:
·
Tecnologia utilizada: Processamento contínuo por meio de
máquinas especializadas e padronizadas, dispostas
linearmente. Padronização e automação. Tecnologia intensiva.
pessoal especializado. Exemplo: produção nas refinarias de
petróleo, produção química, siderúrgicas.
·
Resultado da produção: Produção contínua e em grande
quantidade. Forte previsibilidade dos resultados. Certeza
absoluta quanto a sequência das operações.
Em resumo: Há um imperativo tecnológico, isto é, a
tecnologia adotada pela empresa determina a sua estrutura e
comportamento organizacional.
Conclusão
Aluninho, essas quatro pesquisas revelam a dependência da
organização em relação ao seu ambiente e a tecnologia
adotada. As características da organização não dependem dela
própria, mas da circunstâncias ambientais e da tecnologia
que ela utiliza. Daí a Teoria da Contingência que
mostra que as características da organização são variáveis
dependentes e contingentes em relação ao ambiente e à
tecnologia. Então, vamos estudar o ambiente e a tecnologia ?
Palavras Difíceis
·
Contingência: Algo que pode ou não acontecer, mas quando acontece
passa a influenciar o comportamento da organização.
·
Predições: Profecia, vaticínio.
·
Desenho Organizacional: Configuração estrutural da organização e
arranjo dos órgãos dentro da estrutura para proporcionar
aumento de eficiência e eficácia.
Bibliografia:
Introdução a Teoria Geral da Administração
Autor:
Idalberto Chiavenato - 6 Edição
Editora: Campus
Introdução à
Administração
Autor: Antonio
Cesar Amaru Maximiano
Editora: Atlas |