Gestão de Processos
Empresariais / Reengenharia
Redesenhando Processos
O
máximo valor agregado ao produto/serviço para o cliente é
diretamente relacionado à focalização dos processos que
impulsionam a empresa e a criação de uma mentalidade
inovadora. O grau de redesenho de um processo corresponde à
distância entre o que tem valor para o cliente e o atual
nível de desempenho. O intervalo de variação do redesenho
vai de 0%(sem mudança) a 100%(eliminação do processo ou
criação de um novo processo).
À
proporção que aumenta o grau de redesenho, cresce também o
risco associado. Por mais completos que sejam o planejamento
e a análise de uma mudança, seus resultados são incertos até
as novas idéias passarem pelo teste da prática. O aumento da
quantidade de mudança acarreta o aumento do risco.
Embora não
se espere que as mudanças funcionem perfeitamente da
primeira vez, espera-se que as pessoas aprendam a cada
experiência e continuem a adequar as modificações, até que
se obtenham os resultados desejados. Quando a inovação é
valorizada, a disposição em correr riscos aumenta, levando,
por fim, aos resultados radicais.
Na década
de 70, a existência de produtos certos, com preços justos e
boa qualidade, era suficiente para tornar competitiva
praticamente qualquer empresa.
O foco
recaía sobre produto/serviço útil que funcionasse bem. Havia
condições de trabalhar com estratégias estáveis. A
competitividade ficava mais confinada a segmentos de mercado
nitidamente definidos. Gradativamente, à medida que mais
companhias se tornam capazes de fornecer produtos e serviços
de qualidade, o cliente passou a exigir mais. No início dos
anos 80, as mudanças nos fatores de competição incluíram a
proliferação e a fragmentação de mercados, a aceleração dos
ciclos de vida dos produtos e a globalização, que começou a
derrubar as barreiras entre mercados nacionais e regionais.
A
definição de qualidade evoluiu para o que é hoje geralmente
conhecido como Qualidade Total: a quantidade de toda a
transação, com prioridades e atividades mais afinadas com o
cliente. O tempo tornou-se um fator chave na competição. O
crescente dinamismo dos mercados fez com que a capacidade de
reagir rapidamente às necessidades mutáveis do cliente
passasse a ser um atributo competitivo básico.
Os anos 90
colocaram em primeiro plano o valor do cliente em todas as
atividades de uma empresa. O caminho para chegar a esse
valor não se restringe mais a produtos e mercados, mas passa
a abranger os processos de negócios: é a integração de
funções departamentos e até fornecedores, clientes e
concorrentes na estratégia da empresa.
Cada
década contribuiu com uma nova iniciativa de melhoria: na
década de 70 foram as ferramentas de qualidade e o controle
estatístico de processo (SPC, do inglês Satistical
Process Control); nos anos 80, o Just-in-Time
(JIT), o envolvimento dos funcionários e a liderança
divisionária; e, nos anos 90, o redesenho inovador de
processos e a verdadeira liderança dos gerentes de nível
médio, cuja esfera de atuação é renovada e ampliada.
A
maximização do valor do cliente repousa sobre a focalização
dos processos de negócios que começam e/ou terminam no
cliente. A estrutura da organização, bem como o seu
pessoal/clima/liderança, dão sustentação a esses processos
empresariais, com o intuito de maximizar o valor do cliente.
A visão da empresa, os imperativos do negócio e a estratégia
viabilizam o valor máximo do cliente.
Em
qualquer momento de qualquer mercado há um nível máximo de
valor necessário para que existam condições de competir. O
nível de Valor Mínimo Aceitável pelo cliente é função de
três fatores:
1.
A
base de experiência do cliente influi no que ele aceita.
Antes da introdução dos carros sem defeitos, os compradores
admitiam uma média de sete defeitos por carro, o que,
atualmente seria inaceitável.
2.
O
que a concorrência faz influi nas expectativas do cliente.
Enquanto a Marriot não automatizou o sistema de registro em
seus hotéis, eliminando a espera, as pessoas achavam normal
ficar aguardando em fila para se registra nos hotéis. Hoje
esse parece ser um incômodo desnecessário.
3.
O
nível de valor desejado é afetado pela tecnologia. Algumas
idéias não são viáveis hoje unicamente devido a limitações
tecnológicas.
Portanto,
a idéia que o cliente faz do valor é variável. A previsão
das necessidades do cliente, a atenção ao mercado e a
inovação constante e intencional são fatores necessários
para manter a competitividade. Com efeito, concluímos que os
atributos que melhor descrevem a empresa que maximiza o
valor do cliente são apenas dois:
1.
Os
processos de negócios, a estrutura organizacional, o pessoal
/ ambiente / liderança estão alinhados, visando proporcionar
o valor máximo para o cliente.
2.
A
inovação é altamente valorizada em todos os setores da
empresa.
Fluxo de
Processos
Como
descrever o processo certo, que será objeto do esforço de
melhoria radical?
É melhor
começar com uma definição simples de processo, e depois, com
base nela, discutir os processos no contexto das
oportunidades de melhoria. Para nossos fins, definimos
processo como uma série de tarefas ou etapas que recebem
insumos (materiais, informações, pessoas, máquinas, métodos)
e geram produtos (produto físico, informação, serviço),
usados para fins específicos, por seu receptor.
Assim como
os processos tendem a transpor as fronteiras entre as
diferentes funções, é bem possível que uma pessoa, ao
executar suas tarefas diárias, participe de mais do que um
processo.
Os
insumos, as tarefas e os produtos do trabalho estão ligados
por “fluxo”. Fluxo é o que transforma o processo em uma
entidade estática, que consiste no progresso do trabalho
mediante os insumos, as tarefas e os produtos, em conceito
dinâmico.
Os quatro
processos empresariais centrais. Praticamente todas as
empresas se organizam em torno de quatro processos centrais
fundamentais, dos quais depende, em última análise, a sua
capacidade de proporcionar significativo valor do cliente,
fator de sobrevivência e crescimento:
1.
O
processo de confecção do produto,
2.
O
processo de geração de pedidos,
3.
O
processo de execução de pedidos, e
4.
O
processo de atendimeto ao cliente.
Todos os
outros processos, tais como o financeiro, o de recursos
humanos ou o jurídico, existem para servir de apoio e medir
o sucesso desses quatro processos centrais. Todos os
processos compartilham algumas características:
·
Eles consistem em múltiplas etapas, tarefas,
operações ou funções executadas em sequência, ou às vezes em
conjuntos de tarefas, operações ou funções executadas
simultâneamente ou sequencialmente.
·
Eles geram um resultado ou produto
identificável, que pode ser um produto físico, um relatório,
dados/informações verbais, escritos ou eletrônicos, um
serviço ou qualquer produto final identificável de uma série
de etapas.
O
resultado/produto tem um receptor identificável, que define
sua finalidade, suas características e seu valor, seja esse
receptor um cliente externo ou interno.
Os níveis de processos
Ao
considerar os processos identificados em diferentes áreas de
atividade, podemos ver como a nossa definição abrange
um espectro de processos, que vão desde um pequeno número de
etapas que geram um pequeno produto, usado por um cliente
interno como insumo para outro processo, até o processo
longo e complexo, de muitas etapas, que gera um grande
produto para o cliente externo.
Com
efeito, toda a operação de uma empresa poderia ser
considerada, de acordo com a definição de processo dessas
dimensões, contudo, seria complicada demais. Portanto, para
fins de análise, é mais conveniente decompor a “árvore
genealógica” de processos da empresa em processos de
dimensões manejáveis.
O primeiro
passo é descer para o nível dos quatro processos centrais e
seus processos de apoio. Logo se percebe que este nível
também é demasiadamente abrangente e complexo para permitir
uma análise rápida; assim, é preciso continuar
simplificando. Na maioria dos casos, é no terceiro ou quarto
nível da árvore genealógica que se situam os processos cujo
tamanho permite viabilizar a melhoria radical. Nesse nível,
os processos consistem geralmente, mas não sempre, na
geração de produtos para clientes internos.
Tempo do ciclo do
processo
A
maximização do valor para o cliente, a discussão sobre
processos de negócios precisam quase sempre ser
aperfeiçoados ou redesenhados. A empresa como um todo pode
ser considerada como um processo, alternativamente podem ser
identificados os principais processos de uma empresa, ou,
ainda, pode ser estudado um processo finito manejável.
Os
processos evoluem ao longo de sua vida. A princípio são
criados para atender a uma determinada necessidade, de
acordo com a expectativa do cliente.
No começo
de seu ciclo de vida costumam ser muito eficientes. Podem
passar por uma fase inicial de refinamento e adaptação, à
medida que se ganha experiência, o que aumenta sua eficácia
no ambiente organizacional específico em que se encontram.
Essas mudanças costumam ser de menor importância e
construtivas.
Com o
passar do tempo, o plano inicial do processo evolui de
acordo com a demanda do cliente. O plano também muda para
solucionar os problemas que vão surgindo. Essas mudanças
tornam-se mais sérias e mais complexas quanto maior o tempo
de vida do processo. Na maturidade, o processo ainda
funciona, mas já não é eficaz como antes.
Eficácia
O processo
começa a incorporar etapas extras, em geral visando
localizar e sanar erros, a dividir responsabilidades entre
as linhas da empresa e a criar especialistas em determinadas
funções. Começa a haver ambiguidade de responsabilidade e
autoridade. A redundância de etapas, torna-se comum.
Se essa
evolução for reconhecida a tempo por um gerente bem
informado e hábil, ele poderá entrar no circuito e
redesenhar o processo, devolvendo-lhe a eficácia original. É
muito comum o gerente acreditar que não tem autonomia
suficiente para alterar o processo e tomar uma providência
eficaz dentro de todos os procedimentos e protocolos
existentes.
A evolução
continua, porém, com um numero muito grande de redundância e
de envolvidos, gerando maior tempo para cada ciclo dentro do
processo. O valor do cliente ficou comprometido, o redesenho
para a melhoria radical, torna-se essencial.
Tipos de Clientes
Os clientes sabem o que querem
encontrar na sua empresa, mesmo que não sejam capazes de
expressar corretamente seu desejo. É preciso Ter habilidade
para monitorar as mudanças no mercado, identificar o impacto
e decidir quais as medidas adequadas a tomar.
As
empresas acreditam Ter um conhecimento bastante bom sobre o
seu cliente, mas essa crença vem da experiência adquirida
através dos anos e manipuladas para adequar-se às limitações
da empresa.
Análise de Valor
O valor
para o cliente é o quociente entre “O que o cliente obteve”
e “O que custou para o ele”.
Se nós
superarmos o Valor Mínimo Aceitável dos clientes, vamos
prosperar; se ficarmos abaixo do Valor Mínimo Aceitável,
podemos esperar o fracasso; se atingirmos o nível e nada
mais, poderemos sobreviver.
O Valor
Mínimo Aceitável, é determinado por diversos fatores:
·
A base de experiência do cliente com um
setor, um produto ou um serviço;
·
A base geral de experiência do cliente com
mercadorias e serviços;
·
O que está fazendo a concorrência no setor,
grupo de produto ou serviço;
·
Qual o efeito de limitações tecnológicas na
fixação do limite superior.
A pesquisa
de Valor para o Cliente não é um pesquisa de satisfação, ela
se destingue sobres vários aspectos:
·
Não se concentra apenas nos clientes atuais
·
Pede comparações entre o desempenho da sua
empresa e o dos concorrentes.
·
Ela não pergunta apenas o que é importante
para os clientes, mas também, qual a importância de cada
item.
·
Ela dá aos clientes, oportunidades não
dirigidas de falar sobre suas expectativas e necessidades de
nível macro e micro.
·
Sua finalidade é desenvolver oportunidades
específicas de ação.
Medições
Fixar
metas mensuráveis, desafiadoras e viáveis é sempre uma
tarefa difícil, mas que se torna mais fácil com o passar do
tempo, à medida que os integrantes do Comitê Diretor
adquirem experiência e confiança no que é possível realizar
mediante o redesenho. Os resultados de avanço radical devem
ser melhorias de 50 a 90% em termos de tempo, qualidade ou
outras medidas. Se um processo não foi submetido a esforços
de melhoria e está implementado há vários meses, essa
proporção de melhoria deve ser prontamente alcançável.
A
capacidade de conseguir resultados radicais, da ordem de 50
a 90%, muitas vezes é identificada até nos dados
preliminares disponíveis para a avaliação das oportunidades
de projeto. Se houver um intervalo de dois dias e um terço
desde o recebimento da ligação do cliente, até o
encaminhamento do pedido ao local da fábrica, enquanto o
exame do processo mostra que o tempo de trabalho real é
apenas uma hora, deve ficar bastante evidente a
possibilidade de reduzir o tempo em 50 a 90%.
Gestão de Processos
Há uma
série de processos que são essenciais para a gestão da
empresa, mas que, aparentemente, não atendem aos requisitos
de agregar valor porque não transformam fisicamente o
trabalho ou produto porque o cliente não está disposto a
pagar por elas. Você poderia questionar se o processo todo
tem valor ou deveria ser eliminado.
O envio de
uma fatura é um bom exemplo. Será que os clientes se
importam se você envia uma fatura para eles? Eles estão
dispostos a pagar por isso? Surpreendemente, a resposta é
sim.
Apesar de
ser um processo que satisfaz o cliente, ele contém etapas
que não agregam valor. Essas etapas são consideradas um
desperdício, aumentam desnecessariamente o tempo e os gastos
sem representar valor algum aos olhos do cliente.
REENGENHARIA
- REESTRUTURAMENTO EMPRESARIAL
Ainda há na sociedade,
nomeadamente nas pequenas e médias empresas, principalmente
aquelas que estão fora dos grandes centros urbanos, alguma
resistência na adaptação a novos e mais eficazes métodos de
trabalho. A Reengenharia é uma palavra atrativa, mas
ainda envolta num certo mistério, não porque encerra algum
mecanismo obscuro, mas porque não está suficientemente
disseminado o seu significado.
O que é a Reengenharia ?
De acordo com a definição
original de Hammer e Champy, a reengenharia é a
implementação de mudanças radicais que, ao redesenhar os
processos de trabalho, visam melhorar, de forma dramática, a
eficácia da empresa, em todos os seus aspectos tais como
custos, qualidade, serviço e velocidade.
A Reengenharia está focada nos
processos de grande amplitude, dentro de uma empresa,
principalmente nos que atravessam várias áreas funcionais.
Como tal, uma ação de
Reengenharia não pode ser iniciada, ou suportada, na base ou
na hierarquia intermédia de uma empresa. Tem de ser
implementada no seu topo e é aí que tem de ser suportada com
convicção.
As pessoas, e consequentemente
as empresas, não são muito receptivas às mudanças e tal é
normalmente o grande obstáculo à implementação de ações de
Reengenharia. Mas por outro lado as empresas que não
se adaptarem aos novos métodos de comércio e satisfação de
clientes, não poderão subsistir no mercado comum onde todos
estão incluídos e a concorrência é intensa. Convém, no
entanto, manter presente que uma ação de reengenharia pode
não ser adequada a uma empresa. A indústria, no seu
conjunto, renova-se e reinventa-se regularmente.
Se uma empresa está na crista
de uma indústria que acabou de sofrer alterações de vulto,
então uma ação de reengenharia pode ser prejudicial.
Contudo, se uma empresa
utiliza metodologias e tecnologias ultrapassadas em lugar
das que são utilizadas pela concorrência, então uma ação de
reengenharia pode estar a ser, urgentemente, necessária.
A reengenharia é um remédio forte, mas não é necessariamente
o mais indicado para uma determinada empresa.
Se a execução técnica é a
adequada, então provavelmente as necessidades podem ser
outras, tais como formação, mudança organizacional,
desenvolvimento de técnicas de gestão, etc.
O maior problema que as
empresas, na generalidade, enfrentam são do foro estratégico
e não operacional. Por isso mesmo, é absolutamente essencial
que uma empresa tenha as suas opções estratégicas bem
definidas antes de qualquer estudo ou ensaio de
reengenharia.
Caso tal não seja feito, podem
ser investidas enormes somas e tempo a desenvolver e
melhorar processos que não são relevantes para as
necessidades estratégicas da empresa.
A Reengenharia(1980) a
Melhoria Continua(1940) e inspeção(1900) são processos
distintos e necessários a uma empresa, se bem que
complementares.
Apesar de distintos, ambos
...:
1.
colocam ênfase na satisfação
dos clientes
2.
usam processos de medida
de eficácia
3.
têm foco nos processos de
negócio
4.
fazem uso intensivo de
trabalho de equipa
5.
mudam os valores e as crenças
6.
forçam tomadas de decisão nos
níveis mais baixos da empresa
7.
necessitam do empenhamento
absoluto dos níveis mais altos da empresa
As razões da Reengenharia
?
Existem duas razões
primordiais, pelas quais, as empresas estão a procurar novas
idéias na busca de alterações de fundo, são os efeitos da
globalização que gerou um universo competitivo e as
exigências dos clientes.
Durante muitos anos uma
empresa era considerada segura caso fosse competitiva numa
dessas três áreas :
1.
Custo / Produtividade
2.
Qualidade / Serviço
3.
Rapidez de resposta /
Flexibilidade
Corremos rapidamente no
sentido da necessidade de uma empresa ser boa, na totalidade
das três áreas. As empresas vão ter de oferecer qualidade,
com um serviço rápido e flexível e por um custo
relativamente baixo. De forma a atingir estes
objetivos as empresas estão a estudar e desenvolver
processos de forma a produzir o que é realmente importante
para o cliente. A necessidade de aumentar a flexibilidade
quanto à aceitação dos pedidos e a diminuição do tempo de
resposta são objetivos já urgentes.
Na época (já longínqua ...) em
que as condições de mercado estavam bastante estáveis, o
trabalho nas empresas estava dividido em tarefas muito
simples, que eram efetuadas por uma força de trabalho sem
qualquer especialização.
Eram então necessários vários
níveis de supervisão, que garantiam que as tarefas
individuais eram interligadas convenientemente. Os processos
daqui decorrentes eram, necessariamente, cada vez mais
complexos.
X
FUNÇÕES
LIGAÇÕES
GESTÃO
antes
simples
indiretas
estrutura de
comando complexa
agora
complexas
diretas
compreensão e acordo quanto à Visão e
aos Processos
Nos tempos atuais, as empresas
ao serem confrontadas com, cada vez mais, exigências de
velocidade, flexibilidade e capacidade de resposta tendem a
desenvolver processos que sejam simples.
Tais processos só podem ser
criados criando ligações diretas entre pessoas que podem, e
devem, estar aptas a executar tarefas complexas e
inter-disciplinares. Uma estrutura de comando complexa
absorve muito do tempo disponível. Os processos são agora
geridos por uma compreensão e acordo geral sobre a Visão da
empresa e os processos utilizados.
Cada empresa deve determinar,
por si mesma, se e quando deve implementar uma ação de
reengenharia.
Um processo de reengenharia só
vale a pena se for para melhorar uma posição estratégica da
empresa. É pois essencial que, antes de qualquer estudo de
reengenharia a empresa tenha a sua estratégia perfeitamente
clara e definida.
Listam-se
seguidamente alguns indicadores estratégicos que podem
indicar se uma empresa está necessitada de uma ação de
reengenharia.
1.
Percepção de que os
concorrentes têm uma vantagem no custo, velocidade,
flexibilidade, qualidade ou serviço
2.
Nova visão ou nova estratégia
: necessidade de criação de capacidades operacionais
3.
Necessidade de reavaliação de
opções estratégicas, entrar num novo mercado ou redefinir
serviços/produtos
4.
Percepção de que os processos
em curso estão baseados em tecnologias/conceitos
ultrapassados
5.
Percepção que os objetivos
estratégicos da empresa são inatingíveis
6.
Mudança do mercado
7.
perda de percentagem de
mercado
8.
novas regras de concorrência /
novos concorrentes
9.
novas normas
10.ciclos de vida de produto
mais curtos
11.novas tecnologias
Depois de se saber o que é, e
depois de ter uma percepção aproximada dos motivos pelos
quais uma empresa pode ser tentada a executar uma ação de
reengenharia, é necessário ter uma idéia de...
COMO É FEITA
A REENGENHARIA ? - COMO SE APERFEIÇOAR E PROGREDIR
CONSTANTEMENTE SEM PERDER ESPAÇO PARA A CONCORRÊNCIA CADA
VEZ MAIS FEROZ
As várias fases de um processo
de reengenharia estão sumariamente descritas seguidamente
Fase 1 -
Posicionamento para a mudança
Não é mais do que a definição
do posicionamento estratégico da empresa e a constatação das
razões e dos objetos da mudança. Desenvolvem-se objetivos e
mobilizam-se recursos necessários à aplicação.
Fase 2 -
Identificação dos processos existentes
É fundamental identificar os
processos existentes e o motivo dos mesmos terem sido
aplicados assim. Este conhecimento quando associado aos
objetivos da empresa e aos necessários níveis de qualidade,
permite estabelecer os alicerces da recriação daqueles
processos.
Fase 3 - Recriação
dos processos
Consiste no repensar de novos
métodos organizativos e operacionais, de forma a atingir os
objetivos da empresa, satisfazendo as suas necessidades.
É essencial solicitar ajuda aos elementos e grupos chave, à
medida que a Visão é criada, de forma a garantir o sucesso
da transição.
Fase 4 - Transição
para o novo sistema
Engloba todo o desenvolvimento
estratégico e comercial para a transição para os processos
relativos à Visão. São efetuados os ensaios dos novos
processos de forma a demonstrar e desenvolver os conceitos
associados e assim fazer aumentar o entusiasmo dos
envolvidos. É efetuada a gestão da mudança a todos os níveis
da empresa.
LUTAR PARA SUPERAR A
CONCORRÊNCIA, OTIMIZANDO RODOS OS RECURSOS E PROCESSOS
DISPONIVEIS, PARA NÃO FICAR EM DESVANTAGEM NO FUTURO, QUANDO
O AMBIENTE MUDAR DERREPENTE OU MESMO QUANDO O RAMO ESCOLHIDO
ATRAIR NOVA CONCORRÊNCIA
Naturalmente que não existe o
modo certo de efetuar uma ação de reengenharia a uma
empresa, várias organizações efetuaram aproximações,
radicalmente, diferentes às várias fases de reengenharia,
tal como descritas acima.
De uma forma geral, uma
empresa que encare de forma séria um processo de
reengenharia leva alguns meses para finalizar a Fase-1. A
Fase-2 pode levar de 1 a 5 meses a completar. A Fase-3 de 1
a 4 meses e a Fase-4 pode levar até 2 anos de trabalho.
Saber o que é, porque se faz e
como se faz, são os passos mais simples no caminho da
reengenharia de uma empresa.
As dificuldades surgem nos
detalhes seguintes. As chaves para o sucesso do
empreendimento !
Vamos ver seguidamente quais
são e a que nível da empresa têm de ser aplicadas.
Chaves para o sucesso de
uma Reengenharia
Os ingredientes para a mudança
que se deseja, e para que esta possa ser sustentada, são os
seguintes :
1.
Visão
2.
Capacidades
3.
Incentivos
4.
Recursos
5.
Plano de ação
É necessário ter uma Visão de
forma a que todos tentem atingir os mesmos objetivos.
A visão é uma imagem do
que se pretende atingir em termos de
1.
pessoas
2.
produtos/serviços
3.
processos
4.
instalações
5.
cultura
6.
clientes
Todos os elementos da
organização devem poder ver o que é necessário para atingir
os objetivos pretendidos e, assim, através das suas decisões
e ações empurrar a organização para mais perto da visão, sem
uma visão implementada, qualquer organização será confusa e
com metas desfocadas.
As capacidades individuais são
indispensáveis para que os envolvidos possam desempenhar,
cabalmente, as suas funções dentro dos novos processos.
Estas capacidades
podem ser
1.
técnicas
2.
de liderança
3.
interpessoais
Sem este tipo de capacidades,
as pessoas sentir-se-ão ansiosas e serão incapazes de
atingir os
seus objetivos, os incentivos
são normalmente, o último elemento a mudar.
Sem incentivos as
pessoas não mudam ou, quando muito, efetuarão pequenos
reajustamentos. Os incentivos incluem :
1.
reconhecimento
2.
recompensa
3.
compreensão individual do que
é que eu ganho com isto ?
Com os incentivos as pessoas
tendem a valorizar mais rapidamente os seus benefícios com
as mudanças e a organização aproxima-se mais da sua visão.
Os recursos abarcam
1.
pessoas
2.
dinheiro
3.
informação
4.
instalações várias
5.
equipamento
Sem recursos as pessoas
frustram-se devido a serem mandatárias de uma mudança que
cada vez parece mais irrealista.
Um Plano de ação
composto por :
1.
lista de atividades
2.
definição de responsabilidades
3.
datas limite
oferece o necessário suporte
de ação que permitirá implementar as mudanças objetivadas.
Sem um plano haverão falsas partidas, pois as pessoas não
saberão o que fazer a seguir e não compreenderão como é que
atividades, aparentemente, distintas se movem todas em
direção ao mesmo objetivo.
Deve assegurar-se que cada um
destes elementos foi levado em consideração e está preparado
para ocupar o seu lugar, é um fator essencial e fundamental
para que a ação de reengenharia pretendida possa ser levada
a bom termo.
Muito deste trabalho será
feito, por si, à medida que os quadros superiores se forem
mentalizando e posicionando (de forma positiva) para a
mudança.
Quem deve ser envolvido
Para um processo de
reengenharia ter sucesso é necessária a contribuição,
dedicada, de vários elementos. A mais critica, é sem dúvida,
a prestada pelo dono, presidente ou director-geral da
organização.
Este elemento tem de estar
convencido da necessidade da reengenharia e colaborar na
resolução dos acidentes de percurso que, inevitavelmente,
surgirão.
Em algumas situações esta
pessoa, passa a colaboradores seus as tarefas do dia-a-dia,
para se dedicar em exclusividade à tarefa da reengenharia.
São também necessários os
formadores de opinião, estes elementos serão escolhidos
entre os lideres de opinião dentro da organização,
estas pessoas estão prontas a adotar as mudanças necessárias
e serão úteis a ajudar e a encorajar outros a adotá-las
igualmente.
Estes elementos desempenharão
um papel chave nos processos de comunicação interna e de
mudança efetiva.
Chega-se assim à necessidade
de criar equipes de condução estratégica e tática.
As suas funções passam por
fornecer linhas de orientação de acordo com a estratégia
definida, ajudam a gerir as necessárias mudanças e
comunicação e resolvem questões organizacionais relacionadas
com os processos.
Tipicamente estas pessoas são
lideres internos, que têm a ganhar com a iniciativa de
reengenharia e possuem uma perspectiva ampla de como
processos específicos podem afetar a organização no seu
todo.
Um dos seus objetivos é assegurarem-se que os necessários
fatores de sucesso estão a ser devidamente utilizados, para
aumentar as probabilidades de sucesso do exercício de
reengenharia em curso, e monitorarão, procurarão e
escolherão os necessários recursos, de acordo com as
necessidades apresentadas pelas várias equipas.
Muitas vezes é nomeado um
Chefe da Reengenharia, pertencendo normalmente à(s)
equipe(s) de condução tática, este indivíduo coordena os
trabalhos desenvolvidos pelas várias equipes que contribuem
para a reengenharia da organização.
Ele (ou ela) é o guardião da
metodologia adotada e é o interlocutor ideal para com os
consultores externos, o Chefe assegura-se que as equipas
têm, à sua disposição, os necessários recursos sejam eles
humanos, ou de equipamento e coordena as várias atividades
no sentido destas se reforçarem mutuamente.
Por fim, é obviamente
necessário que ao longo das vária etapas da reengenharia, se
formem várias equipes para efetuar trabalhos definidos e
claramente objetivados.
Estas equipes serão
constituídas por um líder, um facilitado e os restantes
elementos.
1.
Ao líder cabe a
responsabilidade pela execução da equipa, sendo ainda o polo
de comunicação entre a equipa e o resto da organização.
2.
Ao facilitado cabe o trabalho
de dar apoio ao líder e de manter o trabalho da equipa
dentro da direção previamente definida, assegurando-se que
todos têm possibilidade de colaborar.
Analisar os resultados
O benefício mais significativo
que as empresas podem ter da aplicação de uma reengenharia é
significativo; têm uma melhoria nos processos entre 50% a
100%. Os custos diminuem, enquanto que a velocidade,
qualidade e serviços prestados aumentam de forma dramática.
Infelizmente, a reengenharia
permite em apenas 20% dos casos que os lucros aumentem. Para
que os lucros e receitas aumentem e os custos diminuam,
requer uma dedicação, profundidade de ação e uma liderança
que a maioria das empresas não consegue acompanhar.
A reengenharia terá uma probabilidade de sucesso muito maior
se for entendida como um meio de crescer, aumentando as mais
valias criativas.
Caso a reengenharia seja
encarada como uma mera ferramenta de diminuir custos e
reduzir pessoal, então as probabilidades de a implementar
serão muito baixas devido à resistência passiva introduzida
pelo elemento humano.
As empresas que venham a considerar uma reengenharia têm de
entender que a reengenharia, por si só trás custos, e como
tal é necessário pesá-los face aos ganhos que se pretendem
vir a obter.
Aqueles custos são de nível
contratual, consultoria, e implementação das medidas a
tomar, a mudança, ou a implementação da reengenharia, só é
óbvia quando os custos da manutenção do sistema forem
maiores do que os custos da mudança...mas então já poderá
ser tarde.
Atingir ganhos
significativos leva tempo, mas este tempo também depende de
um conjunto de variáveis, que podem ser, por exemplo
:
1.
Número e complexidade dos
processos selecionados
2.
Sentido de urgência
percepcionado pela gestão de topo
3.
Nível de recursos e dedicação
disponíveis
4.
Tolerância da gestão de topo a
ambigüidades e envolvimentos organizacionais. |