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Empreendedorismo
Corporativo
A revista Exame publicou em sua última edição o ranking
nacional de empreendedorismo
corporativo. Resultado de um trabalho realizado pelo IBIE
(Instituto Brasileiro de Intra-Empreendedorismo) em parceria
com a consultoria americana Pinchot Co, o ranking traz a
lista das empresas que mais se destacaram no
incentivo do empreendedorismo interno.
Em
outro artigo já fiz a definição da expressão
Empreendedorismo Corporativo, ou Intra-Empreendedorismo,
termo criado por Pinchot. Quero aqui fazer referência ao
artigo da Exame, sobretudo em
alguns pontos que achei que merecem uma análise mais
aprofundada:
1) Inovar não é o mesmo que empreender. Este ponto é
importantíssimo e o artigo,
assinado por David Cohen, deixa isso bem claro. Uma boa
idéia por si só não se transforma
em resultado sem um estudo de viabilidade, um planejamento
de implementação, investimentos,
ajustes e acompanhamento. O sucesso está diretamente
relacionado com a eficácia das ações. Abandonemos a
idéia de que a indefectível ‘caixinha
de sugestões’ é uma iniciativa empreendedora.
2) O efeito do choque. Exceto quando o empresário ou
executivo possui ele próprio um
contagiante espírito empreendedor, no qual acredita e busca
disseminar em toda a organização,
os demais casos de empresas intra-empreendedoras retratam o
nascimento da cultura
empreendedora a partir de uma situação de crise. Muitas
vezes um problema grave da
organização serve como estopim para a revisão de paradigmas
e pressupostos que levam a um
processo de ruptura e busca de novos conceitos aumentar a
competitividade e a eficácia. Mais uma vez, o valor
do esforço pela necessidade de
sobreviver.
3) O foco nas pessoas. Pinchot sempre foi muito enfático ao
afirmar que ‘sempre houve
intra-empreendedores nas companhias’. De fato, o grau de
empreendedorismo existente nas
empresas hoje se deve muito mais ao incentivo e apoio
proporcionados pela empresa do que
a quantidade de empreendedores que ela possui em seus
quadros. Quando vemos as áreas de
RH (ou Gestão de Pessoas) alçando o mesmo status estratégico
que
obtiveram os diretores de TI há 10 anos, percebemos que as
empresas estão descobrindo que
inovação é gerada por gente e não por tecnologia.
Iniciativas que promovem o
empowerment, equipes auto-geridas, liderança situacional,
descentralização, remuneração
variável entre outras, são, na verdade, iniciativas que
promovem o empreendedorismo
interno.
4) O empreendedor corporativo. ‘Empresários parceiros’ na
Odebrecht, o ‘dono do negócio’ na
Algar, ‘os funcionários que escolhem os projetos’ na
Credicard, entre outros exemplos
mostram o que é na verdade a diferença entre as tradicionais
iniciativas de melhoria de gestão
e o empreendedorismo corporativo. Dadas as condições
apropriadas, o funcionário é
responsável pelo projeto que criou, monta a sua equipe,
obtém recursos, gerencia o
projeto, testa a viabilidade, participa nos resultados, tudo
como um verdadeiro empreendedor
externo, porém, dentro da própria organização. Não só dar
condições para isso, mas
complementar a formação do empreendedor é o grande desafio
de qualquer programa de
intra-empreendedorismo
5) Alinhamento com a estratégia. Alexandre Souza, diretor do
IBIE fala rapidamente sobre alguns
pontos-chave da metodologia. Um deles é a disseminação da
estratégia a todos os
funcionários. De nada adianta uma grande idéia se ela não
está alinhada com a direção que a
empresa escolheu para crescer. A melhor forma de forçar as
pessoas a concentrar esforços em
torno de uma direção ou estratégia estabelecida é através da
comunicação livre, irrestrita, transparente e honesta
entre a alta administração e o nível
operacional. A Algar possui apenas três níveis hierárquicos
e enfatiza a importância da transparência interna.
6) Cultura corporativa. Outra coisa que Souza menciona é o
tratamento dado a pequenas iniciativas e a tolerância a
erros. Permitir que as pessoas tenham a liberdade de
conduzir iniciativas pessoais e não só ignorar os fracassos
daí decorrentes mas incentivar o erro como processo de
aprendizado não é fácil de se implementar em nenhuma
empresa. Faz parte de uma cultura que é construída ou
modificada ao longo do tempo.
Muito do sucesso do intra-empreendedorismo está relacionado
com a cultura da empresa.
Assim, se você quiser transformar sua empresa num destes
modelos do ranking preparese para começar uma longa jornada
com fim imprevisível. A única certeza é que, como qualquer
iniciativa empreendedora, os benefícios potenciais compensam
os riscos e o investimento. |