TGA - Teoria Geral Da Administração

         

Criatividade - Diferencial do êxito

Categoria: Negócios
por Francisco Gomes de Matos
 

Criatividade é hoje um dos sinônimos mais expressivos de modernidade. O mercado em mudança veloz exige que empresas e empresários sejam criativos. Desse modo, desenvolver a criatividade gerencial significa capacitar a organização a se posicionar em termos de liderança. Buscar a criatividade com programa de empresa e plano de vida pessoal e profissional corresponde a preservar a sobrevivência e garantir a expansão. Isso implica procurar um diferencial como condição para ser competitivo.

Para atender satisfatoriamente o cliente - que se trona cada vez mais exigente - a empresa precisa ser versátil, flexível, aberta às novidades. O principal obstáculo à modernidade e aos programas de excelência e qualidade é a estrutura gerencial obsoleta, desatualizada, burocratizada. O gerente que pensa à antiga permanece aprisionado a velhos conceitos e a práticas rotineiras que até foram bem sucedidas no passado, mas que já estão superadas e ele não percebe.
É comum ocorrer uma dualidade aparentemente contraditória, em termos de comportamento gerencial: o executivo amarrado a normas e o descomprometido com qualquer regulamento. Nos dois casos, há falta de "espírito de empresa". O primeiro, aferrado à visão processualística, perde a dimensão do cliente; o outro, ao individualizar sua ação, quebra a unidade grupal, buscando ser "herói", e não "líder". Confunde empreendedor com aventureiro.
Querer empreender, sem estratégia de equipe, é lançar-se ao risco sem cobertura.
Ser empreendedor importa em estrutura e criatividade. Implica realizar uma gerência renovadora.
O perfil de uma gerência renovadora - aquela capaz de liderar equipes de sucesso - contempla sinais bem distintos:

Visão estratégica: capaz de enxergar a empresa em sua totalidade (níveis internos e externos de influência nos negócios) e agir proativamente.
Preocupação centrada no cliente: o que implica busca incessante da qualidade.
Ações integradas: significa conduzir-se numa linha sistêmica, visando à integração e à coesão no relacionamento humano e no cumprimento de objetivos e metas.
Valorização da equipe e do desempenho das competências: importa em que todos tenham apoio para desenvolverem suas potencialidades.
Amor ao que realiza: é fundamental, pois a organização, em si, não é suficiente para induzir à motivação de pessoas e de equipes. É a liderança que gera entusiasmo, vontade de pertencer e produzir. Se não há "entrega" à causa, pouco pode fazer a organização para que as coisas aconteçam.
Exercício de cenários conjunturais com a equipe: uma gerência renovadora continuamente levanta, com o seu grupo, o quadro, de forças situacionais, para determinar linhas de ação à base do consenso.
Estímulo à criar: o gerente renovador procura ser criativo e induz a que seus liderados o sigam. Significa não se satisfazer com a rotina esterilizante e perseguir ações diferenciadas, que implicam melhoria constante.
Ser um vitorioso: é uma aspiração legítima de todo ser humano. Corresponde à sensação valorativa ao superar obstáculos, ao responder a desafios, ao solucionar problemas complexos. É o estrategista que vê além do aparente e do estabelecido e que realiza pela satisfação em ver sua contribuição aceita e realizada com sucesso.

A gerência renovadora compreende a liderança de equipes vitoriosas. E estas só existem à base da criatividade. A habilidade criativa pode e deve ser treinada no trabalho. É um equívoco identificar criatividade simplesmente com imaginação solta, indisciplinada, sem conseqüências tangíveis, embora esse possa ser até um procedimento aceito e mesmo estimulado por algumas grandes organizações.
A Nasa foi um grande laboratório para criativos e descomprometidos, em que algumas fantasias, aparentemente malucas, deram origem a feitos extraordinários, justificando plenamente inumeráveis projetos, tidos como mirabolantes e inúteis.
Ela acabou com o "impossível" em suas atividades de pesquisa, pela atitude positiva de seus cientistas.

A criatividade pode ser organizada

Organizar a criatividade não é, como poderia à primeira vista, uma aberração, um contra-senso. Ao contrário, é a única maneira de viabilizar a criatividade na empresa. Isso não significa programá-la como se fosse um produto de computador, mas tentar direcioná-lo na solução de problemas ou em busca de oportunidades. Criar, sobretudo, as condições e os recursos para que ela se traduza em conseqüências palpáveis.

Você é uma pessoa criativa?

As pessoas criativas possuem peculiaridades bem definidas, que as distinguem das pessoas comuns. Se você quiser saber o quanto você é criativo, analise a sua maneira de encarar os problemas e verifique se está de acordo com essas características:
Competência: as pessoas criativas são competentes no que fazem e sentem um profundo orgulho disto. Por isso exigem, antes de tudo, respeito ao seu modo de trabalhar
Desafio: as pessoas criativas são estimuladas pelos grandes problemas ou dificuldades diárias. As situações de crise são particularmente motivadoras para os criativos.
Liberdade: as pessoas criativas apresentam um irrepreensível sentimento de independência de pensamento e juízo. Só quando livres em sua maneira de pensar produzem no máximo de sua capacidade.
Interesse: as pessoas criativas sentem necessidade de assumir crescentes responsabilidades e desafios na área de seus interesses gerais.
Segundo um psicólogo americano, há um teste para identificar a reação de chefia diante do funcionário criativo: se você está vivo, o entusiasmo dele o empolgará: se você está "morto", sua inquietação o levará a loucura

Por que as qualidades para criar são inibidas?

Por várias causas:
- o desejo que nós temos de sermos aceitos pelos outros, muitas vezes, elimina nossos traços identificadores, levando-nos a uma atitude de conformismo.
- As normas sociais, as leis civis levam a maioria das pessoas a adotar tipos de pensamento e comportamento padronizados.
- O sistema educacional restringe a curiosidade e delimita as atividades intelectuais a técnicas convencionais. Somos treinados mais para memorizar do que para raciocinar criativamente.
- Somos condicionados a aceitar que "a maioria é que está com a razão". Essa crença suspende a vitalidade de qualquer pensamento criador.
- As pessoas desenvolvem hábitos de pensamento que são tão resistentes à mudança quanto os hábitos fisiológicos.

Essas forças sociais estão presentes na vida de cada um em graus variados. A herança é responsável pelas capacidades individuais básicas, mas é o ambiente que vai estimulá-las, fazê-las desenvolverem-se e, desse modo, propiciar o desencadeamento do processo de criatividade.
Afirmou Alex F. Osborn, em sua extraordinária obra O Poder Criador da Mente, que, geralmente, "deixamos de reconhecer que quase todos possuem imaginação criadora, pelo menos em estado potencial. Deixamos de descobrir maneiras, em larga escala, de desenvolver esta dádiva. Chegamos mesmo ao ponto de deixar de descobrir a maneiro de dominar as forças que tendem a atrofiá-la".
Um exemplo extraordinário da força de treinamento na dinamização de habilidades nos é oferecido por Athea Gibson, que, através de esforço programado, conquistou o título de campeã olímpica de corrida, superando dificuldades para tanto consideradas intransponíveis, já que havia sofrido de paralisia infantil. A história registra inúmeros feitos semelhantes.

Fatores positivos à criatividade

Entre as atitudes e providências para motivar a criatividade, destacamos:

- Revele compreensão pelas idéias sugeridas, sem demostrar preconceitos: idéias que eram inexeqüíveis ontem podem se tornar realizáveis, dependendo das circunstâncias.
- Favoreça oportunidade para que sugestões sejam apresentadas: esteja receptivo, dê atenção e tempo para que as idéias sejam expostas.
- Estimule o pessoal a resolver os problemas: ao propor questões, use perguntas provocativas que encaminhem a solução.
- Crie condições para que as idéias sugeridas sejam testadas na prática: quantas iniciativas vitoriosas foram, a princípio, consideradas idéias absurdas?
- Conscientize o pessoal no sentido de estar permanentemente aberto a melhorias que aumentem a produtividade: quem lida diretamente com os problemas pode melhor "criar" soluções.
- Valorize a colaboração e recompense as idéias aproveitadas: divulgue os resultados da aplicação, conceda prêmios, publique.


A criatividade no trabalho não é só uma habilidade desejável, é condição essencial em um mundo igualizado pela tecnologia e extremamente competitivo.

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