TGA - Teoria Geral Da Administração

         

Sua idéia vale ouro no novo modelo de administração - Entrevista com Gifford Pinchot III

Categoria: Empreendedorismo
por Gifford Pinchot III
 

 Sua idéia vale ouro no novo modelo de administração -
Entrevista com Gifford Pinchot III


Incentivar o empreendedorismo entre os funcionários é uma das fortes tendências no mundo corporativo, atualmente. O modelo vem conquistando cada vez mais adeptos e é apontado por diversos livros de administração como fator essencial para o sucesso das companhias no século 21. E um de seus fervorosos defensores é o consultor americano Gifford Pinchot. Em 1978, ele lançou o conceito "intraempreendedorismo" ("intrapreneuring"), o qual faz alusão à capacidade dos empregados em agir como se fossem os próprios donos do negócios. Tão rápida foi sua disseminação que, hoje, o termo já consta em alguns dicionários como "American Heritage Dictionary" e "The Oxford Dictionary of the English Language".
Na visão do consultor, as empresas precisam mudar os modelos de gestão e deixar de concentrar decisões apenas entre os executivos do alto escalão. O executivo defende a valorização das idéias, inclusive, na base da pirâmide dos funcionários de uma empresa. "Não podemos esquecer que as companhias possuem um valor inestimável, que é a capacidade intelectual de cada um de seus funcionários", explica Pinchot. "São várias cabeças pensantes, com contribuições extremamente importantes."
O consultor aponta ainda para outro ponto crucial, o poder da inovação. É a aposta nas pessoas e no potencial que elas têm em transformar idéias em projetos rentáveis. E mais. Fazer com que os funcionários possam criar novos produtos, serviços ou processos em tempo hábil e com menor custo possível.
Essa teoria é bastante difundida por Pinchot em companhias renomadas como 3M, DuPont, Kodak, IBM, Apple e AT&T. Entre os seus clientes estão mais da metade das 100 maiores companhias dos Estados Unidos. É autor do livro "Intra-empreendedorismo na Prática" e co-autor de "A Inteligência Organizacional", além de ser CEO da Pinchot & Company. Em recente visita ao Brasil, ele concedeu entrevista exclusiva ao Valor.


Valor: Como o senhor avalia o nível de empreendedorismo nas empresas, de uma forma em geral?
Gifford Pinchot: O espírito empreendedor varia bastante entre os profissionais que comandam as companhias no mundo. No entanto, mais importante do que o grau empreendedor que eles tenham é o quanto contribuem para despertar o intra-empreendedorismo junto aos funcionários, principalmente entre os gerentes. Pelo que tenho observado, 5% dos executivos são responsáveis por mais da metade das iniciativas
de incentivo ao intra-empreendedorismo.
Valor: E no Brasil?
Pinchot: Descobri que o Brasil tem uma forte cultura empreendedora. Entretanto existe também uma supervalorização nas companhias de diretores e executivos de alto cargo. Sempre brinco com a seguinte comparação: nas organizações encontramos cérebros amplamente distribuídos, que podem ser aproveitados, um por pessoa. Precisamos dar oportunidade para que suas idéias sejam valorizadas. Não devemos concentrar a decisão apenas a poucos diretores e gerentes das organizações. Existe grande oportunidade para se fazer uso do espírito empreendedor, entre empregados comuns e de nível gerencial.
Valor: Houve uma evolução no cenário corporativo e na forma de gestão nestes últimos dez anos?
Pinchot: Sem dúvida, a maneira de administrar mudou bastante. Vivemos, atualmente, um momento em que cada vez mais se valoriza o trabalho feito com o cérebro ao invés daquele realizado com as mãos. E aqui, lembro que a burocracia já não mais se encaixa na era da informação, assim como o feudalismo deixou de ter força no início da fase industrial. Um número maior de executivos vem aprendendo a gerenciar de forma estratégica. Devemos liderar pessoas que trabalhem com a imaginação por meio de fatores como persuasão, inspiração e liberdade sem limites. É um erro adotar modelos que envolvam ordens rígidas e mecanismos de intimidação.

Valor: Hoje, as empresas têm se preocupado em incentivar o lado empreendedor de seus executivos ou o que senhor chama de intra-empreendedorismo?
Pinchot: Incentivos para ações empreendedoras dentro de uma companhia ocorrem em todos os setores.
Mas sua evolução depende muito da cultura interna de cada empresa. É o grau de como isso ocorre em cada uma delas que vai definir onde suportam o intra-empreendedorismo e o porquê de em algumas áreas e em outras não. Entretanto, a tendência é que todas caminhem na direção do intra-empreendedorismo. O mundo está mudando rapidamente, exigindo atitudes ligadas à inovação e que requer atos empreendedores.
Valor: Quais as principais barreiras que o senhor enxerga para a disseminação do empreendedorismo nas companhias?
Pinchot: Os maiores entraves são o medo e a excessiva preocupação dos profissionais em mostrar autoridade. Esses fatores bloqueiam as ações empreendedoras. Sufocar o lado inovador de seus líderes ou substituí-lo por um executivo com perfil mais tradicional é também outra barreira. Precisamos de profissionais corajosos e ousados, que deleguem poder ao seu time e subordinados imediatos.
Valor: Para despertar o caráter inovador no país, a sua consultoria trabalha em conjunto com o Ibie (Instituto Brasileiro de Intra-Empreendedorismo) . Que tipo de atividade é desenvolvida?
Pinchot: Nós da Pinchot & Company temos atuado em parceria com o Ibie com a meta de ajudar as companhias nacionais e as instaladas aqui no processo de se tornarem mais inovadoras e empreendedoras.
A sistemática é baseada na tropicalização de nossa experiência internacional . Elas podem facilmente se beneficiar daquilo que temos visto e aprendido durante os últimos 20 anos. O que certamente contribuirá para um rápido e barato avanço na direção dos novos padrões. Acreditamos que cultivando o espírito intraempreendedor, os executivos brasileiros podem figurar na lista dos principais líderes em inovação do mundo
inteiro. E ao contrário do que se imagina, muito em breve.


(Valor – 14/07/04)
 

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