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Nosso processo de aprendizagem se inicia a partir do momento
em que nascemos, continuando por toda a vida, atravessando
as mais variadas formas e características. Entretanto,
apesar dos vários fatores particulares envolvidos (como o
meio social, as condições e estímulos do ambiente,
predisposições genéticas e muitos outros), todos nós
assimilamos certas posturas que irão ser determinantes para
criar comportamentos importantes em na nossa vida adulta.
A maior parte destas posturas estão ligadas ao processo
educacional, à maneira com somos apresentados ao mundo à
nossa volta, seja na escola ou no ambiente familiar.
Trataremos aqui de um dos aspectos deste processo
educacional, que tem uma grande influência em nossas
atitudes, especialmente para aqueles que buscam incrementar
sua performance profissional através de novos conhecimentos
e busca de respostas.
Quais as crianças que são consideradas como melhores alunos
da turma na escola? São aquelas que sabem a resposta certa,
que as leva a obter as melhores notas. São mais valorizadas
pelos professores, citadas como exemplos e sempre passam, de
alguma forma, a ser um modelo que deve ser seguido por
todos. E o que acontece com aquelas que tentam responder e
erram mais? Bem, estas recebem um retorno do professor que
fará com que elas se sintam menos capacitadas ou até
inferiorizadas. Estefeedback negativo usualmente não
acontece por meio de ações diretas para "rebaixar" aquele
que erra. É um ato sutil, implícito no tom de voz, num
olhar, na própria linguagem corporal do professor, que
muitas vezes o faz de forma inconsciente. E como se sente o
aluno que não diz nada, que não se arriscou em uma resposta?
Provavelmente menos mal, pois pelo menos ele não errou,
optando por uma confortável neutralidade.
No ambiente familiar a situação não é muito diferente, onde
esta valorização da certeza pode ser claramente notada no
comportamento dos pais ao comparar irmãos ou ainda comparar
seus filhos aos filhos de amigos e parentes. A postura para
a qual chamamos a atenção continua transparente, onde aquele
que sabe a resposta "certa", que não retorna com o tímido
"não sei", recebe sinais nítidos de valorização no processo
de comparação com o outro. A mensagem a ser assimilada pela
criança é muito simples: a resposta certa, aquela esperada
por quem perguntou, garante-lhe maior reconhecimento e,
muitas vezes, benefícios adicionais.
Olhando a situação de outro ponto de vista, do lado dos
educadores e pais, podemos observar que os professores
dificilmente respondem a seus alunos "não sei", mesmo que
para isso tenham que improvisar, e até mesmo dizer algo
errado ou impreciso. Na situação dos pais, esta questão fica
ainda mais inquestionável, pois, afinal de contas, os pais
são aqueles que devem ter respostas sempre prontas. Caso
contrário, acham que correm o risco de perder a autoridade
ou até o respeito dos filhos, ou ainda se sentem pais pouco
eficientes, não cumpridores de seus deveres.
Agora, vamos pensar um pouco na situação decorrente deste
processo. Pessoas educadas, na escola e no lar, dentro de um
ambiente de extrema valorização do saber absoluto, da
resposta certa e hoje inseridas em um mercado de trabalho
onde quase tudo pode se tornar relativo, onde a resposta
certa se torna uma variável do tempo, podendo ser a resposta
errada no momento seguinte. Não precisamos de muita
imaginação para concluir o que acontece, pois todos nós
estamos constantemente vivenciando esta situação. Temos
dificuldade em lidar com as dúvidas e logo avaliamos que
isto é um problema nosso, de insegurança, falta de confiança
etc.
A questão, muito mais complexa é a seguinte: quem nos
ensinou a lidar com a dúvida? Quem nos mostrou que a dúvida
é parte de um processo de crescimento e que, até certo
nível, é um elemento saudável para nosso desenvolvimento?
Quem nos disse que aquele colega que parece ter resposta
para tudo pode ser apenas um indivíduo que consegue lidar
melhor com a própria incerteza? Quem nos fez perceber que
aquele que diz ter a resposta tem apenas uma resposta
parcial? Quem nos disse que a dúvida pode ser o início da
construção de um horizonte totalmente novo?
Infelizmente não fomos, quando ainda em formação,
adequadamente preparados para lidar com a dúvida e esta é
uma das principais causas da angústia presente no dia-a-dia
de todos que buscam crescer, tanto no campo profissional
como nas questões pessoais. O ambiente nos enche de
incertezas ao mesmo tempo em que as empresas, clientes,
parceiros e familiares nos cobram respostas. O ponto de
partida para atenuar essa situação pode ser a consciência de
que nossas dificuldades com a "dúvida" não ocorrem por
simples falta de competência, mas principalmente porque é
extremamente difícil lidar com uma situação para a qual
nunca fomos bem orientados.
Atualmente podemos observar diferentes posturas das empresas
perante as complexas dúvidas impostas pelo ambiente. Algumas
apenas reproduzem modelos ou comportamentos "herdados" do
passado, enquanto outras consolidam mudanças que minimizam
as dificuldades em lidar com as incertezas e utilizam essas
mesmas incertezas como um importante elemento de
crescimento. Podemos encontrar exemplos de profissionais e
organizações que aprenderam a transformar a diversidade de
cenários e questões em um consistente elemento gerador de
novas conquistas.
Já em relação ao profissional de Recursos Humanos, esse se
encontra com grande freqüência numa posição delicada, pois
tanto a direção da empresa como seus colaboradores esperam
da área de Recursos Humanos certezas que possam reduzir a
ansiedade gerada pelo ambiente. Um importante passo em busca
de uma redução dessa ansiedade pode estar na percepção de
que fórmulas ou receitas prontas que tanto tranqüilizam as
pessoas no primeiro momento, acabam usualmente se
transformando em frustrações e gerando problemas ainda
maiores. Somente os profissionais de Recursos Humanos
capazes de entender e trabalhar alinhados com a cultura da
organização na qual estão inseridos poderão realmente
agregar valor a ela de forma consistente e produtiva.
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