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Em
um mundo em crescente mudança e transformação, repleto de
contingências, coações, ameaças e oportunidades a
competitividade constitui a mola mestra dos negócios. Em um
novo mundo onde todos têm acesso imediato à informação, o
sucesso é das empresas ágeis e capazes de transformar a
informação em oportunidades de novos produtos/serviços no
mais curto espaço de tempo. E antes que outros o façam ou
até que outros também o consigam fazer. Esse é o desafio da
era da informação. Nessa nova era que a humanidade
atravessa, o recurso principal passa a ser o conhecimento. E
se sobressaem as pessoas com iniciativa própria e capazes de
transformar o conhecimento em novos meios de ação. Nesse
novo mundo, os continuísmos das empresas, os funcionários
burocratas e os gerentes de manutenção preocupados com o
status que têm muito pouco a fazer. É a hora do
empreendedor, do espírito de grupo e de equipe, do homem
motivado para a realização e para o sucesso. Afinal, quais
são as oportunidades para mudar as empresas? Na realidade,
uma empresa não precisa esperar indefinidamente por uma
oportunidade para promover mudanças. Ela deveria até mesmo
se antecipar à oportunidade para melhor aproveitá-la e
alavancá-la no momento preciso. Mais ainda, a empresa
poderia até criar as condições para obter as oportunidades.
Porém, as situações que melhor preparam o espírito das
pessoas que trabalham nas empresas e as predispõem a
mudanças são os momentos de crise e de dificuldades, em que
o status quo não consegue responder adequadamente às
demandas e exigências que são impostas à empresa, seja pelo
mercado, pelos clientes, pelos concorrentes e até pelos
fornecedores. Os momentos de crise e de dificuldades são
preciosos para a introdução de mudanças. E quase sempre, são
nesses momentos que a grande maioria das empresas desenvolve
planos de mudanças bem sucedidos. Além disso, a formulação
da estratégia empresarial constitui um importante elemento
para a introdução de mudanças que a organização espera
desenvolver de maneira contínua e gradativa. Boa parte dos
programas de mudança organizacional estão embutidos na
estratégia das empresas. Através dela, as empresas realocam,
reajustam e reconciliam seus recursos disponíveis com seus
objetivos e oportunidades percebidas no contexto ambiental.
Cada empresa procura desenvolver seus negócios e operações
de uma maneira coerente e consistente por meio de padrões
distintos e personalizados de estratégia. E a estratégia
constitui um conjunto integrado de objetivos e políticas
principais capazes de guiar e orientar o comportamento da
empresa a longo prazo. Através da estratégia, a empresa
determina a sua futura postura, com especial referência
quanto aos seus produtos / serviços e mercados, sua
lucratividade, seu tamanho, seu grau de inovação e suas
relações com seus funcionários, clientes, fornecedores,
concorrentes e certas instituições externas. A formulação da
estratégia empresarial oferece ocasiões importantes para uma
profunda reflexão sobre o futuro e o destino da empresa no
sentido de:
a. Buscar compatibilidade com as tendências ambientais: Um
dos alicerces básicos da estratégia empresarial é a análise
do que está ocorrendo no ambiente e traçar os possíveis
cenários futuros para ajustar-se continuamente às demandas
ambientais.
b. Aproveitar as competências internas:
analisar os pontos fortes (capacidades e habilidades e
potencialidades da empresa) para melhor aproveitá-los como
vantagens estratégicas e analisar os pontos fracos
(fragilidades e aspectos nevrálgicos) para melhor
corrigí-los ou neutralizá-los e evitar que se tornem
desvantagens estratégicas.
c. Aproveitar as oportunidades externas:
visualizar as oportunidades ambientais para melhor
aproveitá-las, bem como as ameaças, coações e contingências
do ambiente para poder neutralizá-las ou reduzí-las em
proveito da empresa.
A
Estratégia Empresarial Como Compatibilização das Variáveis
Envolvidas Fonte: Idalberto Chiavenato, Administração:
Teoria, Processo e Prática, São Paulo, Makron Books, 1999,
p. 46
De
um lado, as forças ambientais mais próximas (os
concorrentes, clientes, fornecedores, que constituem o
microambiente da empresa) e as mais remotas (as variáveis
econômicas, políticas, tecnológicas, sociais, legais,
culturais, que constituem o macroambiente de todas as
empresas envolvidas) provocam pressões externas para
estimular mudanças. Por outro lado, as forças internas (a
reformulação de objetivos empresariais, os problemas e
necessidades da empresa, novas tecnologias introduzidas,
etc.) também provocam pressões para estimular mudanças.
Essas pressões externas e internas precisam ultrapassar o
limiar de sensibilidade dos dirigentes da empresa para que
se perceba a necessidade da mudança. Sentida a necessidade,
ocorre naturalmente a busca de alternativas de mudança
adequada à solução das pressões existentes. E a seguir, a
implementação da mudança.
As Forças que Promovem a Mudança nas Empresas
Geralmente, ocorrem quatro tipos de mudanças dentro das
empresas, a saber:
a. Mudanças estruturais: que
afetam a estrutura organizacional, os órgãos (como divisões
ou departamentos, que são fundidos, criados, eliminados ou
terceirizados através de novos parceiros), as redes de
informações internas e externas, os níveis hierárquicos (que
geralmente são reduzidos, no sentido de horizontalizar as
comunicações), etc. Além disso, as mudanças estruturais
também envolvem alterações no esquema de diferenciação x
integração existente.
b. Mudanças na tecnologia:
que afetam máquinas, equipamentos, instalações, processos
empresariais, etc. A tecnologia envolve a maneira pela qual
a empresa executa suas tarefas e produz seus produtos e
serviços.
c. Mudanças nos produtos ou serviços:
que afetam os resultados ou saídas da organização.
d. Mudanças culturais:
isto é, mudanças nas pessoas, nos seus comportamentos,
atitudes, expectativas, aspirações e necessidades. Essas
mudanças não ocorrem isoladamente. Pelo contrário, elas
ocorrem sistemicamente, umas afetando as outras e provocando
um poderoso efeito multiplicador dentro da empresa.
Os Quatro Tipos de Mudança Organizacional O
que ocorre é que as empresas trabalham geralmente em
cenários que são construidos subjetivamente "desde dentro"
através de pontos de vista de seus principais executivos e
não em cenários objetivamente compreendidos e raciocinados.
E isto faz com que, mais cedo ou mais tarde, elas se tornam
progressivamente mais distanciadas da realidade ambiental e,
consequentemente, menos viáveis. E para que isto não
aconteça, torna-se indispensável descongelar os paradigmas
existentes dentro das empresas.
Elementos Condicionantes do Impulso para a Mudança Na
realidade, as mudanças podem ocorrer dentro de várias
dimensões e velocidades. Elas podem ser restritas e
específicas, como podem ser amplas e genéricas. Elas podem
ser lentas, vagarosas, progressivas e incrementais como
podem ser rápidas, decisivas e radicais. Tudo depende da
situação da empresa e das circunstâncias ambientais que a
cercam e, principalmente, da percepção da urgência e da
viabilidade da mudança. Neste sentido, três tipos principais
de mudanças empresariais são geralmente adotadas: as
mudanças contínuas, as mudanças planejadas e as mudanças
radicais (1). As duas primeiras são também denominadas
mudanças incrementais.
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Mudanças Contínuas |
Melhoria Contínua (Kaizen, TQM, etc.) |
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Mudanças Empresariais |
Mudanças Planejadas |
Desenvolvimento Organizacional (nível grupal,
divisional, total) |
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Mudanças Radicais |
Reengenharia (do negócio, de processos, e de cargos) |
Os
Principais Tipos de Mudanças Empresariais Fonte: Idalberto
Chiavenato, Os Novos Paradigmas: O Que as Mudanças Estão
Fazendo Com as Empresas, São Paulo, Atlas, 1998
As
técnicas de intervenção e mudança organizacional contínuas e
suaves - como a melhoria contínua (kaizen) e a qualidade
total (TQM) - estão centradas na atividade em grupo das
pessoas e visam basicamente à qualidade dos produtos e
serviços dentro de programas a longo prazo, que privilegiam
a melhoria passo a passo por meio da participação e
colaboração das pessoas. As mudanças contínuas são feitas
contínua e ininterruptamente pelas empresas com visão de
longo prazo. Assim, são mudanças suaves, mas definitivas. É
o caso da melhoria contínua (kaizen) dos japoneses e de
todas as técnicas de qualidade total dela decorrentes. São
mudanças feitas de baixo para cima (bottom-up), dentro de
uma administração participativa e democrática, envolvente e
comprometedora, através de trabalho em equipe. Envolvem um
enfoque tipicamente incrementalista através do qual a
estratégia evoluciona do interior da empresa para o seu
exterior. A estratégia está profundamente internalizada
pelos funcionários da empresa e atua como um padrão contínuo
de comportamento para proporcionar a direção e orientação.
Ela é, sobretudo, uma construção que emerge das crenças, das
tradições e das normas de conduta dos gerentes e dos
empregados. As técnicas de intervenção e mudança
organizacional planejadas baseiam-se nas técnicas das
ciências do comportamento. São também feitas de maneira
contínua e ininterrupta pelas empresas e quase sempre
envolvem uma visão de médio a longo prazo. São basicamente
mudanças culturais e comportamentais, feitas a partir de um
diagnóstico prévio, seguindo-se um planejamento da ação e
utilização de técnicas de intervenção. Envolvem um enfoque
tipicamente interacional através do qual a estratégia surge
como resultado da aprendizagem dos membros envolvidos. Para
chegar a uma empresa melhor, torna-se necessário incorporar
um processo globalizador (holístico) de compreensão que
combine a experiência, a percepção, a conceitualização e o
comportamento. Em resumo, melhorar os paradigmas (2). Desta
maneira, o desenvolvimento de uma empresa é tão simplesmente
aprender a melhorar o planejamento e implementação da
mudança. As técnicas de intervenção e mudança organizacional
mais radicais - como a reengenharia de processos e a
reengenharia do negócio, - estão centradas nos processos
empresariais e visam basicamente ao seu total redesenho, bem
como um completo reposicionamento do negócio da empresa. São
técnicas que envolvem decisões da cúpula da empresa, de cima
para baixo, para implementar o redesenho e o reprojeto de
processos por meio de grupos multifuncionais de trabalho e
sua rápida implementação na empresa (3). As mudanças
radicais são decididas de cima para baixo, muito embora
envolva agentes de mudanças, que são as equipes de
reengenharia.
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Melhoria Contínua |
Desenvolvimento Organizacional |
Reengenharia |
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Tipo de mudança |
Gradual, lenta e contínua. Incremental. Evolutiva. |
Gradual, lenta e contínua. |
Radical , planejada, drástica. Total. Revolucionária
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Ponto de partida |
Processo atualmente existente. Melhorar o que já existe. |
Problemas diagnosticados. |
Estaca zero. Reinvenção do processo. Começar tudo de
novo. |
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Frequência da mudança |
Contínua e cotidiana. |
Contínua e planejada. |
Periódica e de uma única vez. |
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Tempo necessário |
Curto prazo de tempo para avaliar o processo atual. |
Médio prazo de tempo para avaliar e projetar um novo
processo. |
Longo prazo de tempo para avaliar e projetar um novo
processo. |
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Envolvimento |
Participativo e envolvente. De baixo para cima. |
Participativo e envolvente. |
Impositivo. De cima para baixo. |
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Risco |
Moderado. |
Moderado. |
Elevado. |
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Habilitador Principal |
Controle Estatístico do Processo (CEP). |
Consultor externo e equipes mais as pessoas. |
Tecnologia da Informação. |
Comparação Entre os Três Modelos de Mudança Organizacional
Fonte: Idalberto Chiavenato, Os Novos Paradigmas: O Que as
Mudanças Estão Fazendo Com as Empresas, São Paulo, Atlas,
1998
Por
qual desses tipos de mudança decidir? Cada caso requer um
cuidadoso exame. Cada situação precisa ser cuidadosamente
estudada e analisada. A decisão a respeito precisa ser
tomada a partir de uma visão ampla e envolvente do contexto
ambiental e da situação em que a empresa se encontra
inserida e colocada em prática e continuamente ajustada a
partir do monitoramento dos resultados. Como diz Ketelhöhn
(4) quando o processo de tomada de decisões não está
funcionando bem existe uma certa tentação de procurar em
volta por alguma teoria de administração ou alguma novidade
no campo da administração (uma caixa de ferramentas) no
lugar de pensar em cada situação e aprender com a
experiência. Quando submetidos a alguma situação complexa e
problemática, os executivos tendem a buscar alguma coisa na
sua caixa de ferramentas, sem se preocupar muito em pensar e
analisar mais profundamente as coisas. Diz ele que pensar e
fazer não são alternativas mutuamente exclusivas, não são
inseparáveis e, os problemas surgem quando uma das coisas é
valorizada em detrimento da outra. Salienta que os
executivos devem ser educados a pensar de acordo com uma
situação específica para estarem preparados quando chegue a
hora de decidir, implementar a decisão e aprender com os
resultados. Um executivo esclarecido não procura respostas
com validade universal, mas respostas com validade
específica para cada situação. Aí acrescenta: caixa de
ferramentas é out, raciocínio é in. Afinal de contas, que
certezas temos nós sobre o futuro? Uma ferramenta não pode
substituir o raciocínio. E o treinamento para usá-la não
pode ocupar o lugar de um aprendizado sólido. Ketelhöhn cita
o fato de que muitas empresas orgulham-se de atrair os
maiores talentos do mercado, mas depois se queixam de que
esses executivos não estão tomando as decisões de maneira
apropriada. Enquanto isso, as empresas de consultoria de
administração mais importantes do mundo recrutam pessoas de
capacidade igual e vendem os seus serviços a preços
altíssimos. Por que as empresas se dispõem a pagar por
conselhos de pessoas que não são mais talentosas do que seus
próprios executivos? Só porque estão engajadas em
consultorias de renome? O importante é pensar criticamente.
Todas essas mudanças - sejam gradativas, planejadas ou
radicais - visam a aumentar a competitividade empresarial,
otimizar o desempenho da empresa e, sobretudo prepará-la
para um novo cenário que realça a maior proximidade com o
cliente e com o mercado e focaliza a mudança como um
movimento contínuo e ininterrupto para as organizações
inteligentes. Sobretudo, contando com as pessoas e com os
seus recursos mais importantes: a inteligência e a vontade
pessoal. Muitas empresas adotaram algum ou alguns desses
tipos de mudança organizacional. Existem casos de enorme
êxito e sucesso. Mas, também existem casos de retumbante
fracasso. As mudanças são necessárias, mas nem porisso,
devem ser feitas levianamente ou por cima das pessoas. Mudar
é preciso. Fracassar não é preciso. |