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Equipes e Equipes
Há uma corrente forte na
administração moderna afirmando que as equipes são uma saída
para a moderna estruturação de empresas. Muito se fala,
pouco se faz.
Sem dúvidas existem muitas vantagens no trabalho em equipe.
Assim como não há almoço de graça, também não há benefício
sem custo! O grande benefício das equipes é a redução dos
custos, vinda da capacitação, todos estão aptos a fazer de
tudo, dentro da equipe. O custo pago por isso é que não há
especialistas em quase nada, podendo ocasionar dependência.
Vamos pensar no episódio ocorrido recentemente com a Seleção
Brasileira de Futebol no jogo contra a França. Será que
tínhamos em campo de fato uma equipe? Acima de tudo uma
equipe precisa querer alcançar os resultados, precisa estar
motivada e ter orgulho da empresa, clube ou seleção.
Mesmo que se tenha alguém como principal
referencia/especialista (no caso da seleção talvez seria
Ronaldinho Gaúcho), é preciso lutar sempre, um por todos e
todos por um. Pior do que isso foi o comportamento do
gerente, digo, do técnico que vendo a equipe sem produzir
ficou apenas olhando o resultado. E o mais engraçado é que
este mesmo técnico recentemente lançou o livro: “Formando
Equipes Vencedoras”. Sinceramente não sei se este seria o
título mais apropriado. Vejamos o caso da Alemanha que
também foi eliminada, entretanto a garra e o vigor dos
jogadores foi até o fim, e saíram de campo tristes, mas
aplaudidos por toda a nação com a certeza do dever cumprido,
o que nos remete ao dito popular “mais vale as lágrimas
da derrota do que a vergonha de não ter lutado”.
Para se montar uma equipe,
aqui está alguns aspectos que devem ser observados:
-
O que a equipe vai
fazer, ou seja, quais são os resultados esperados do
trabalho da equipe?
-
Quais os comportamentos,
habilidades e as atitudes que essa equipe precisa ter
para alcançar os resultados esperados?
-
Tendo em, vista o que
essa equipe vai fazer e as aptidões de cada membro,
quais são as regras de conduta da equipe, como um todo,
e das pessoas, individualmente, que compõem essa equipe,
ou seja, o estabelecimento de regras de convivência,
comportamentais?
-
Como os resultados dessa
equipe afetam tanto a organização na sua totalidade como
cada uma de suas diversas partes integrantes?
-
Como essa equipe será
avaliada em termos de seu desempenho coletivo e
individual?
-
Como essa equipe será
incentivada?
Mas para iniciar a primeira
etapa, há uma atividade que é freqüentemente esquecida: a
entrevista dos clientes, internos ou externos, que receberão
os resultados - o que a equipe irá fazer, produzir - com a
finalidade de verificar o que esses clientes efetivamente
querem receber e os respectivos valores agregados a esse
resultado, a serem produzidos pela equipe. Para fazermos uma
entrevista com o cliente, a primeira coisa que devemos fazer
é identificá-lo. Começar a montar a equipe de trás para
frente: a primeira etapa é obter quais os resultados
desejados, operacionais e não operacionais e os respectivos
valores agregados. A partir deste ponto é só seguir as dicas
acima. Um ponto em que pode restar dúvida é o seguinte: quem
deve fazer isso? A gerência ou a própria equipe? Acredito
que a resposta esta na linha do custo-benefício; quanto mais
se delegar, maior a responsabilidade que a equipe vai
assumir e mais focado nos resultados fica o trabalho do
gerente. O gerente pode perder poder, mas ganha, e muito, no
foco e nos resultados, pois as lateralidades, que tanto
tempo tomam, passam a ser responsabilidade da equipe. Vamos
a um exemplo prático: imagine uma equipe de vendas para a
qual o gerente coloca eles poderem definir os critérios
utilizados na repartição dos ganhos de produção da equipe e
efetuar a própria repartição de ganhos. Colocando essa
responsabilidade sobre os membros da equipe o gerente tira
um pouco do seu poder, mas em compensação "não escuta nada
com relação aos critérios utilizados, nem que esteja
protegendo alguém". Já quando a própria equipe é quem
estabelece critérios, deixa-se o paternalismo de lado, e o
gerente pode focar melhor o desempenho da equipe, e o que
ele, gerente, pode fazer para que o desempenho da equipe
melhore, que em princípio deveria ser o seu foco. Mas isso
significa uma grande mudança cultural e requer muito, muito
tempo. |